As utopias de uma modernidade esperançosa.

o urbanismo da cidade utopia de more.
“E, se encontrarem resistência, recorrem à guerra, considerando como justa causa de guerra o fato de um povo possuir uma extensão de terra vazia e sem qualquer utilidade, impedindo os outros dela se utilizarem e aproveitarem, pois, de acordo com a lei da natureza, todo homem tem direito a alimentar-se e a tirar da terra o seu sustento.”
Thomas More
“É preciso defender a sociedade”
Michel Foucault
Nesse primeiro capitulo acreditamos ser importante fazer alguns apontamentos sobre a literatura utópica e distopica, pois, existem nessas literaturas maquinas desejantes, sonhos, projetos políticos, idéias, virtualidades e possibilidades nas entrelinhas dessas literaturas. É preciso então, fazer uma certa analise do discurso. Quem são os autores? Quais os “lugares” sociais desses autores? Para quem esses autores escrevem? Para qual publico? Quais idéias que os autores defendem? Para alem da analise do discurso é necessário também um breve estudo sobre as utopias e distopias. Quando esses gêneros literários ganharam força? Quais os motivos para o crescimento desse tipo de literatura? O que influencia os autores a escrever esse tipo de literatura? Eis aqui um complexo jogo de perguntas que pretendo responder, ou pelo menos apontar algumas direções.
Inicialmente neste primeiro capitulo passearemos por varias utopias e distopias a fim de conhecer um pouco mais sobre esse gênero literário, e por fim falaremos especificamente sobre as influencias que Orwell teve para escrever o livro 1984.
Acredita-se que o termo Utopia tenha sido usado pela primeira vez por Thomaz More, que escreveu um livro com esse mesmo nome: Utopia. A obra de More é um clássico do gênero utópico. Utopia na literatura de More é o nome de uma cidade,um lugar de justiça, onde todos são iguais e as coisas acontecem perfeitamente, segundo os ideais que o autor defende é claro. A verdade é que termo Utopia significa “Não-Lugar”, ou seja um lugar que não existe. More usa a literatura para criar um local, que não existe na vida real, um local perfeito uma cidade perfeita, porem esse local só existe na literatura.
No livro de More um viajante que conheceu a cidade chamada Utopia começa a responder uma serie de perguntas feitas por autoridades locais sobre esta cidade imaginaria. De acordo com as respostas, podemos perceber que o viajante descreve as características físicas dessa cidade, as características físicas(ler 1.2, sobre as utopias arquitetônicas e urbanísticas. Para entender a importância dos locais planejados na manutenção e criação da sociedade.) e de como os poderes se manifestam nessa sociedade. A conseqüência é que essas respostas são também uma críticas a todos os seus entrevistadores. Já que esses entrevistadores são pessoas que representam algum tipo de poder (monárquico, eclesiástico, econômico) na sociedade contemporânea ao momento da escrita da utopia de More.
More ao escrever o livro Utopia faz um exercício básico dos escritores dis(utópicos) que é fazer uma crítica a sua própria sociedade criando uma sociedade ideal em outro espaço (que é o caso do livro de More) ou tempo ( que é o caso de Admiravel Mundo Novo de Aldous Huxley e do 1984 de George Orwell). Essa mobilização do espaço ou tempo é para que se evite uma possível censura, ou problemas de edição e de impressão das obras literarias.
Apesar da obra A Republica de Platão ser uma espécie de utopia da antiguidade, o gênero literário Utopico vai ganhar grande potencia durante a modernidade, sendo influenciada principalmente pelo iluminismo e pelas series de revoluções no campo da política e das tecnologias em geral.
A republica florescente da revolução francesa, e os ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade juntamente com a possibilidade do desenvolvimento e crescimento materiais e econômicos causado pela revolução industrial na Europa levou muitas pessoas a acreditarem na possibilidade de um futuro melhor, numa sociedade mais justa e igualitária. Foi nesse contexto que eclodiu a literatura utópica.
A literatura utópica critica a sociedade atual, e cria uma sociedade “melhor”. É preciso entender que essa literatura, essas sociedades existentes apenas na literatura, eram os sonhos de muitas pessoas, e mais profundamente, essas obras eram projetos políticos.
Essa literatura servia como forma de inspiração para uma nova sociedade, era uma espécie de modelo a ser seguido, um modelo ideal. Juntamente com o nascimento da literatura utópica, nasce uma literatura utópica de locais, ou seja livros teóricos de arquitetura e urbanismo que descrevem literalmente como as novas cidades devem ser construidas para sustentarem a utopia de uma nova sociedade. Assim percebemos a importância da arquitetura do local para a construção de uma nova sociedade. Devido a importância desse assunto nosso próximo tópico trabalhará a literatura utópica da arquitetura e do urbanismo como exemplos de como as obras utópicas eram vistas como modelos políticos, sociais e econômicos para a construção de uma nova ordem, e de uma sociedade melhor.
Fica claro então que as utopias literárias, como as utopias arquitetônicas não são apenas literaturas feitas para o divertimento, existe nesses textos utópicos, todo um discurso sócio-político e econômico, um modelo que sirve de guia para uma nova sociedade.
Algumas pessoas podem argumentar que esses modelos utópicos para uma sociedade futura vinham apenas das mentes iluminadas e com maior grau de escolaridade ou esclarecimento, porem Bauman sustenta uma posição bem divergente a isso com o seguinte argumento:
“Planejado, o espaço moderno tinha que ser rígido, solido, permanente e inegociável. Concreto e aço seriam a sua carne, a malha de ferrovias e rodovias os seus vasos sanguineos. Os escritores das modernas utopias não distinguiram entre ordem a social e a arquitetonica (…) para eles [os escritores utópicos][1] – assim como para seus contemporâneos encarregados da manutenção da ordem social – a chave para uma sociedade ordeira devia ser procurada na organização do espaço” (BAUMAN, 1999. p. 25)
Assim Bauman argumenta que existia um pensamento coletivo, um desejo baseado numa sociedade melhor, mais organizada, uma sociedade racional, arquitetada. Essas sociedades seriam as sociedades do futuro, ou sociedades utópicas, que existiam apenas no papel. A literatura utópica, como a arquitetura utópica então eram projetos a serem concluídos futuramente. Uma coletividade acreditava que essa sociedade seria possível, por isso o gênero utópico vai ganhar potencia nesse contexto Iluminista, e da revolução industrial. Pois é nesse contexto em que a igualdade, fraternidade, liberdade e as inovações tecnológicas vão proporcionar aos homens alguns desejos de construção de uma nova ordem social, e os projetos dessa nova ordem estão presentes nas utopias.
[1] O grifo é meu.
Obs: essa é a primeira parte do primeiro capitulo da minha monografia, ainda não passou por nenhum correção.
Agora postarei algumas imagens de alguns arquitetos e urbanistas, que tambem se afirmam como engenheiros sociais. o maior nome desses intelectuais é sem duvida Jacques Fresco, que participa do projeto venus.
as utopias continuam nos dias de hoje, as pessoas ainda acreditam numa sociedade melhor e mais justa, ainda acreditam que a tenologia pode nos ajudar, e que os locais, as cidades, devem ter um planejamento para ajudar nessa nova ordem social. então fiquem ai com alguma figuras.

Fresco

- Fresco

- Fresco

Salve Galera.
abraços

murilo;
achei bem interessante o seu tema. ainda não tinha lido nada sobre o que vc está escrevendo, mas, acho que nossos temas se encontram para além da união entre história e literatura.
ah, falando em utopia, será que poderíamos classificar o livro “A ilha”, do Husley, como uma literatura utópica? afinal, ele constrói nessa obra uma sociedade ideal, certo?
;*
p.s.: falando em “A Ilha” sei de alguém que me emprestou esse livro e eu ainda não devolvi.
B e l . disse isso em 23 23UTC maio 23UTC 2009 às 16:08
bem murilo, eu gostaria de contribuir um pouco acerca desse assunto ainda mais depois de ter lido um pouco modernidade liquida de bauman. Bom, esse assunto utopia-literatura-arquitetura me remete a ideia de seguranca-modernidade-bem estar. As pessoas do seculo XXI necessitam de seguranca publica para viverem bem, a arquitetura auxilia nesse campo de atuacao por meio de seus projetos visando construir cidades, locais, espacos, trazendo para a realidade o sonho dos individuos que precisam de garantias que tudo vai bem, que tudo vai dar certo, que vc vai ter uma vida melhor com mais seguranca para seus filhos e amigos e etc. Conseguimos perceber um pitada de utopia nas vontades e desejos de pessoas de viverem melhor, produzindo e consumindo tudo que encontram. Mais uma vez vemos a arquitetura abracando a utopia e planejando um futuro melhor para os individuos. Os grandes condominios de luxo dos grandes centros, as chacaras extremamente cercadas com cercas eletricas, muros alto, vigilancia 24hs, barreiras pra todos os lados, tudo isso para assegurar as pessoas de que tudo vai bem, sera que vai mesmo.
O preco eh pago para poderem forjar a exixtencia de uma comunidade que no entanto ja nao existe a muito tempo que eh hoje a ultima utopia de outrora. As pessoas estao pagando o preco da seguranca publica mas minando a liberdade.. os espectros do medo constante solapa qualquer liberdade e acelera as privatizacoes e militarizacoes de locais publicos. Vamos construir locais seguros e fortalezas que nos garantam seguranca..utopia acredito. Os projeto arquitetonicos criados com a finalidade de dar maiores seguranca ( que eh uma otima marca de publicidade: venha morar no local seguro, o mais seguro da regiao) estao aumentando a frieza dos individuos, alguns locais publicos sao construidos para chamarem a atencao mas nao encoraja a permanencia, sao locais que impoem respeito mas nao da criatividade e vontade de lazer e divertimento, apenas veja e volte para sua casa ou para os grandes centros comerciais que tb sao locais ditos seguros e que satisfazem os olhos e os bolsos de muita gente. como dizia Richard Sennet, as pessoas precisam de mascaras, de utopias, de civilidade para se sentirem mais unidas:
“a atividade que protege as pessoas umas das outras, permitindo contudo, que possam estar juntas. Usar uma mascara eh a essencia da civilidade. As mascaras permitem a sociabilidade pura, distante das ciscunstancias do poder, do mal-estar e dos sentimentos privados das pessoas que as usam. A civilidade tem como objetivo protegerem os outros de serem sobrecarregados com nosso peso.”
Rafael Drumond disse isso em 5 05UTC junho 05UTC 2009 às 11:06
Fantastic, I didn’t know about that up to the present. Thx!!
Gerintuittunc disse isso em 11 11UTC dezembro 11UTC 2009 às 20:54
Olá! Gostaria de saber se há algum material que fale em “literatura utópica” de um modo geral ou sistematizado, sobretudo a literatura de românticos utópicos (socialistas/anarquistas). Obrigado e se possível reponder em meu email: raphaelguilherme09@hotmail.com
Raphael disse isso em 12 12UTC janeiro 12UTC 2010 às 10:44