Como Resistir?!
“percebi que não sou tão niilista assim…”
Noção de Nada.
Bem, acabou que entrei numa questão que eu pretendia entra somente mais tarde. Devo isso graças as participações tão caras dos meus amigos nesse blog. Muito obrigado pela atenção dispensada tanto para ler como para comentar no blog, acho interessante discutir essas questões via internet, já que materialmente, e atualmente não podemos mais entrar nessas questões tão caras ao meu projeto de pesquisa.
Rafael ao citar Hardt e Negri certamente se refere ao livro Multidão (editora Record), bem ainda não li esse livro, infelizmente. Sobre esses dois autores eu prefiro me referir ao livro Império ( editora Record) , pois esse livro eu li, já faz algum tempo mais ainda me lembro bastante dele. As analises de Hardt e Negri são muito importantes para mim já que eles se baseiam bastante nos estudos de Deleuze e Guattari. Logo esses quatro autores consideram a nossa atual sociedade como a sociedade do controle, ou seja quando Rafael fala no império, estamos falando simultaneamente do império e da sociedade do controle.
Contra o império[1], temos a multidão. Isso é o que aponta Hardt e Negri. Sendo bem sintético eu classificarei o império como a sociedade de controle, não darei muitas explicações, pois o que me interessa nesse texto não é a classificação do império ou da sociedade de controle, mas sim como resistir a esse atual problema. Citando Deleuze mostrarei e tentarei apontar algumas formas de resistência.
Talvez a fala, a comunicação estejam apodrecidas. Estao inteiramente penetradas pelo dinheiro: não por acidente, mas por natureza. É preciso desviar da fala. Criar foi sempre coisa distinta de comunicar. O importante talvez venha a ser criar vacúolos de não-comunicação, interruptores, para escapar ao controle.
(DELEUZE.Conversações. p.217)
Fica claro aqui uma primeira proposição de Deleuze que eu gostaria de expor. Quando Deluze fala em uma comunicação apodrecida, totalmente infiltrada pelo dinheiro vemos a atual sociedade da informação, da comuniação da internet. Ora a internet é hoje sem duvida o maior mercado e o maior armazenador de informações, sejam informações pessoais, ou informações de empresas e produtos. A internet é movida pelo lucro, pelo dinheiro. Os blogs, e outros sites vivem de propagandas, quase todos sites que abrimos vemos propagandas, a todo momento na internet é nos oferecido produtos e informações, sendo a própria informação um produto nos dias de hoje.
No meu ultimo post, acredito ter mostrado como a internet é um grande armazenador de dados, e um dom principais instrumentos de controle da sociedade atual. Na internet é fácil achar qualquer pessoa, é fácil invadir computadores pessoais e roubar dados, e através de cruzamentos de dados Biométricos já se é capaz de reconhecer uma pessoa em qualquer local do mundo graças a internet.
A comunicação como a conhecemos hoje, livros, televisão, radio, internet, até mesmo esse blog funciona numa lógica de dinheiro. Tudo isso é movida por dinheiro, e pelos agentes do capital, logo acredito ser esses espaços acima citados um local de ação a favor do império, e não a favor da multidão. É lógico que de uma certa maneira esses espaços podem ate denunciar essa sociedade de controle, mas não consigo ver resistência nesses locais. Por isso mesmo fui muito resistente a criação desse blog, pois esse é um espaço do império. Existe na teve, na internet e em vários outros meios de comunicação programas e coisas interessantes, o problema todo é a lógica em que eles funcionam, existem poucos debates sobre políticas na teve, ou sobre educação. Os programas existem, são poucos é claro, pois não fazem parte ainda de uma lógica de mercado.
Então voltemos a questão, como resistir? Bem aqui nesse espaço não sou resistente, não sou criador, sou comunicador.
Resistir segundo Deleuze é fugir, abandonar esses locais de poderes, uma lógica diferente não mais ocupar o local de poder, simplesmente deixa-lo vazio. Existe uma frase no Imperio que não me lembro bem, mas, é algo como : simplesmente resolva não mais servir, e vera o soberano cair e se destruir como uma estatua sem suporte. Ou seja sair fora da comunicação, dos meios de comunicão desses locais podres. Criar novos espaços novas resistências. Novamente no livro Imperio é citado uma forma de resistência que eu gosto de chamar passiva, é simplesmente alguém preguiçoso, uma pessoa que não gosta de trabalhar, se faz de surdo, é lerdo em fazer suas tarefas.
Esse exemplo de resistência passiva me leva a dois lugares, o primeiro é a Noruega pais onde os punks vivem de seguros sociais, e outras ajudas financeiras do Estado. Seguro desemprego, ajuda para gravar um CD da sua própria banda, o interessante é que esses punks fazem CDs mal gravados e usam o dinheiro sustentando um estilo de vida próprio, se drogando. Ou seja usam dinheiro da maquina estatal para sustentarem um estilo de vida contrario ao do Estado. Outro exemplo interessante é o filme TRAINSPOTING. Os personagens do filme também são resistentes passivos, tem um outro estilo de vida. “Escolha uma vida, escolha ter um carro, uma televisão grande, ter um emprego e família ou escolha a heroína”. Simplesmente os personagens do filme não reproduzem o estilo de vida que a sociedade os impõem. Gostaria de trabalhar com o exemplo da “cultura raver”, escrevi um artigo sobre isso um tempo atrás, mas ainda não esta bom, então deixarei para uma próxima ocasião.
Tratarei agora do que gosto de denominar uma resistência ativa, o exemplo será o filme EDUKATORS, (espero que se escreva assim). Esse filme mostra uns jovens que no fim do filme se dirigem a um centro de comunicação e farão o centro de comunicação para por alguns minutos, segundos, bem isso não fica explicito no filme. De qualquer forma acredito que isso possa ser um vacúolo de comunicação um espaço em branco, vácuo.
Outra forma de resistência? Os nerds, os hackers. Bem se o império é virtual, não tem centro fixo, as formas de ataque também devem ser assim. Acredito que invasões de computadores, e de nuvens como as do Google, e outros grandes armazenadores de informações possam ser uma forma de resistência ativa. Talvez apagar dados confidencias, ou confundir os dados. O filme Matrix pode ser então esse exemplo. O melhor ainda é que no filme matrix os resistentes moram fora da matrix, fora do controle, criaram uma nova forma de vida para eles, a luta contra o controle não termina com uns humanos controlando outros humanos ou maquinas.
Bem tentei trabalhar algumas formas de resistência aqui, ainda tenho mais coisas para explanar, de qualquer forma acredito que essas informações e exemplos possam ter esclarecido um pouca as idéias sobre resistência. Tentarei nos próximos posts, continuar trabalhando essa questão.
BIBLIOGRAFIA:
DELEUZE,Gilles. CONTROLE E DEVIR; POST-SCRIPTUM SOBRE AS SOCIEDADES DE CONTROLE. In: CONVERSAÇÕES. Editora 34. São Paulo. 2008.
[1] Não entrarei nessa questão do que é o Império ou como ele se formou, ou qual a forma que ele tem atualmente. Não é realmente o que me interessa, é claro que eu sei que é necessária uma explicação sobre o tema. Acredito que o tema central aqui, é a sociedade de controle, e de uma maneira geral falaremos desse controle. Para saber mais sobre a sociedade atual segundo a visão de Michael Hardt e Antonio Negri procurar : Império, Multidão, O poder constituinte, Kairos, Gilles Deleuze etc…

bom, acho que não é possível a existência de um vazio em forma de resistência, como citado por meio do filme EDUKATORS, também não sei se é assim que escreve, tampouco conheco o mesmo. Se resistir também se enquadra em uma questão de manifestação de poder, digo que não existi vácuo algum na resistência pois o poder em si ou pra si já é um preenchimento de qualquer espaço,seja dialéticamente ou materialmente. Contudo concordo que exista inúmeras formas de resistências e talvez seja essa a tarefa crucial da multidão, seja através do excesso de singularidades ou da comunicação do que é comum entre os indivíduos que compõem essa multidão, seja na busca de toda e qualquer produção contrária do capital. No entanto continuo achando que sempre encontraremos controle por parte de alguém ou alguma ou algo emanando contra a maioria. Ex.: encontramos resistência na simples fuga dos migrantes ou ida dos migrantes de um local para outro. Abandonar alguma coisa que já não mais agrada e fugir de uma dada exploração ( referente à locais de exploração associada a divisão geográfica de pontos específicos de onde se produz mais para o capitalismo – migrantes fugindo da pobreza, fome e etc) aplicada pelo sistema é uma forma de resistência, sim, mas toda saída tem um chegada e pra onde vai também está contaminada pelos grilhões do capital. Controle do capital na vida social ou na produção da vida dos seres.
Biopoder talvez seria uma outra forma de controle, pois os Estados-nação poderosos ( político e economincamente) ditam as regras. Ex.: na legitimação de uma guerra a vida passa a ser controlada, deve por natureza, a guerra gerar morte mas passa a gerar vida quando a mesma é controlada. Controle de natalidade é um clássico ex. de controle, não só de nº de pessoas mas de controlar o nº de pobres, uma vez que devido o aumento de trabalho imaterial e fuxos migratórios, aumentaram o nº de pobres em áreas ricas do mundo ( norte global) ex.: Los Angeles e Paris, ta aí uma resistência dentro da multidão: o comum de pobreza e locaidade pra morar emanou numa forma de resistir aos já ultrapassados pontos específicos no mundo de pobreza como a África ou América Latina. o comum da multidão se emana entre os indivíduos e os poderesos dominantes do capital estão tendo trabalho para repensar em saídas para essas mudanças sociais, culturais e históricas. Gostaria de falar depois sobre gurrrilhas ( uma forma de resistência).
Murilim, estou acabando de ler MULTIDÃO, depois ele é todo seu ( emprestado claro). ahh comprei PLANETA FAVELA de Mike Davis, não comecei a ler ainda.fico por aqui.
Rafael PÃO DE QUEIJO disse isso em 29 29UTC dezembro 29UTC 2008 às 07:04
bem rafael, em primeiro lugar o vazio em forma de resistencia é do trainspoting. o proprio nome do filme ja se refere a um certo tipo de “vazio”, ou seja de deixar o tempo passar, de nao fazer nada.
Na introduçao do livro trainspoting, (editora record, se nao me engano) a nota do tradutor diz que trainspoting era uma giria usada na decada de 80/90 usada pelos jovens escocêses, ela significaria hoje o equivalente a “dar uma gastada”, ou seja ficar de bobeira. no comeco era algo mais especifico para os drogados que ficavam olhando trens passarem.
Bem eu acredito numa resistencia passiva sim, no proprio livro imperio Negri e Hardt mostram um exemplo disso na literatura, alguem que era pregui;coso que nao gosdtava de fazer nada. entao acredito numa resistencia passiva. simplesmente nao concordar com um sistema, com uma sociedade, ou com um estado. nao fazer essa sociedade se reproduzir já é uma resistencia. simplesmente é um local onde o sistema para, ele nao continua. só por isso para mim isso se caracteriza como resistencia, pois o fluxo é contido, nada mais se passa, aquilo nao continua.
a resistencia ativa alem de fazer essa sociedade parar, ela da ideia de uma nova, cria algo novo.
Nem sei se usei esse termo, vazio. eu nao re-li meu texto, mas eu quis dizer algo mais como : lentidão, paralização, lezeira.
Sem duvida cabe a multidão essa criaçao continua, essa criatividade pertence a multidão. por isso a multidao é viva!
Cabe a multidao tambem se apropriar dos meus de produçao, dos meios de comunicação, criar novos meios de comunicação, se comunicar de novas formas, e se apropriar das antigas formas de produçao e comunicação, isso seria consequentemente uma nova forma de vida, um novo modo de vida, que tem na comunicação horizontal sua principal base.
Compreendo que de uma certa forma as imigrocoes sao uma resistencia, mas sem duvida o capital conhece essa forma de resistencia praticada a tantos anos. e hoje a sociedade de controle, cada dia mais é capaz, graças as tecnologias de conhecer esse fluxo migratorio. a implantaçao de micro-chips, e o uso de satelites, hoje, ja torna essa tarefa totalmente possivel.
murilojr disse isso em 31 31UTC dezembro 31UTC 2008 às 18:38
Contra a Sociedade Big Brother, como resistir?
Parece-me uma provocação a postular uma luta em um território extremamente movediço, um passo em falso e você desaparece. Acredito que nossa percepção de uma Sociedade “disciplinar/controle” pautada por pensadores como Foucault, Hardt, Negri, Derrida, Deleuze ou até mesmo beber ainda na fonte de Marx, não obterá êxito significativo se reproduzirmos um olhar clinico fragmentado, ou seja, tentando encontrar um horizonte de resistência identificando apenas os moldes do exercício do controle. A uma exigente luta a ser travada e seu campo de batalha não pode subentender-se mais como utópico ou distópico, porque a sonorização das grandes narrativas desmanchou-se no ar. Interessante a leitura que Jean Baudrillard, produz em sua obra “À sombra das maiorias silenciosas” que convida a repensarmos um conceito tão caro como o de “Massas” e ele a define:
“Na massa desaparece a polaridade do um e do outro. Essa é a causa desse vácuo e da força de desagregação que ela exerce sobre todos os sistemas, que vivem da disjunção e da distinção dos pólos (dois, ou múltiplos, nos sistemas mais complexos). É o que nela produz a impossibilidade de circulação de sentido: na massa ele se dispersa instantaneamente, como os átomos no vácuo. É também o que produz a impossibilidade, para a massa, de ser alienada, visto que nela nem um nem o outro existem mais”. (Baudrillard, 1994)
Até que ponto é possível exercer alguma influência junto a população para que ela venha a despertar utilizando a velha idéia de massa? Os micro-poderes apontados por Foucault contribuem para identificarmos a estratégia de controle, na qual a homogeneização demonstra-se frágil, e o poder agora atua na capilaridade da sociedade traduzida na sua capacidade infiltração na alma humana.
Então algumas das perguntas que devem ser respondidas seria: quem ira resistir? Porque resistir? Como sobreviver na resistência? A constatação do controle me remete a perceber que se formou com o tempo um cordão umbilical que mantém os indivíduos ligados ao sistema reconhecendo-se mutuamente como parte de um mesmo modo de vida.
Vejamos que os discursos totalizantes, todo o aparato racional, normatizador que tendem a produzir uma sociedade consciente, emancipada, cidadã, me parece na atualidade um equivoco, ainda mais quando produzido através de uma construção cientifica que postula a verdade. A forma como o “Império”, conceituado por Hardt e Negri, utiliza os mecanismos de informação e comunicação junto à população, está focado na produção de sentido, capturando na multiplicidade os desejos pessoais. Ocorre uma inegável produção subjetiva que de forma criativa da sobrevida aos indivíduos, traduzidos claramente no frenesi do ato de consumir. Gostaria de trazer outra contribuição de Baudrillard, que aponta o propósito dos instrumentos de comunicação e informação como nos alerta também para revermos nossas estratégias de resistência:
“Seja qual for seu conteúdo, político, pedagógico, cultural, seu propósito sempre é filtrar um sentido, manter as massas sob o sentido. Imperativo de produção de sentido que se traduz pelo imperativo incessantemente renovado de moralização da informação: melhor informar, melhor socializar, elevar o nível cultural das massas, etc. Bobagens: as massas resistem escandalosamente a esse imperativo da comunicação racional. O que se lhes dá é sentido e elas querem espetáculo. Nenhuma força pôde convertê-las à seriedade dos conteúdos, nem mesmo à seriedade do código. O que se lhes dá são mensagens, elas querem apenas signos, elas idolatram o jogo de signos e de estereótipos, idolatram todos os conteúdos desde que eles se transformem numa seqüência espetacular. O que elas rejeitam é a “dialética” do sentido. E de nada adianta alegar que elas são mistificadas. Hipótese sempre hipócrita que permite salvaguardar o conforto intelectual dos produtores de sentido: as massas aspirariam espontaneamente às luzes naturais da razão. Isso para conjurar o inverso, ou seja, que é em plena “liberdade” que as massas opõem ao ultimato do sentido a sua recusa e sua vontade de espetáculo. Temem essa transparência e essa vontade política como temem a morte. Elas “farejam” o terror simplificador que está atrás da hegemonia ideal do sentido e reagem à sua maneira, reduzindo todos os discursos articulados a uma única dimensão irracional e sem fundamento, onde os signos perdem seu sentido e se consomem na fascinação: o espetacular”. (Baudrillard, 1994)
As resistências possíveis acredito que tenha sua gênese em alguns elementos que perpassam a vida dos indivíduos contemporâneos, os quais que os tornam ligados, porém, nem sempre companheiros. O alcance da individualização dos sujeitos alcançou patamares que impedem elaborações comunitárias ou coletivas. Esse dado nos leva a encontrar no tecido social os elementos que potencializados podem constituir frentes de resistência. Essas frentes terão como árdua missão se adentrar no campo da produção imaterial, do conhecimento, dos signos, da subjetividade e de forma consistente no jogo da biopolítica redesenhar as lutas e propor caminhos possíveis. Vejo que na obra de Bauman, “Comunidade: A busca por segurança no mundo atual” configura que no tecido social reina um sentimento que consome a todos as pessoas que é a insegurança:
“segurança como todos os outros aspectos da vida humana num mundo inexoravelmente individualizado e privatizado, é uma tarefa que toca a cada indivíduo”. (Bauman, 2003)
Os indivíduos não encontram mais no cotidiano os espaços seguros que a modernidade prometeu, muito menos suas “idéias solidas” de prosperidade, sociedade do futuro, emancipação, progresso, a realidade traduzida pela ciência como verdade se desmancharam no ar, se liquefizeram. A busca incessante de consolidação identitária, da comunidade perdida, das utopias e da segurança é que regem a vida dos indivíduos de nossa “modernidade líquida”.
Nestes dias, a dominação não se apóia principalmente no engajamento e no compromisso; na capacidade de os dirigentes observarem de perto os movimentos dos dirigentes e coagirem-nos à obediência. Ela ganhou um novo fundamento, muito menos incômodo e menos custoso – pois requer pouco serviço: a incerteza dos governados sobre o próximo movimento dos governantes – se estes se dignarem a fazê-lo. Como Pierre Bourdieu não se cansou de observar, o estado de permanente precarité – insegurança quanto à posição social, incerteza sobre o futuro da sobrevivência e a opressiva sensação de “não segurar o presente” – gera um incapacidade de fazer planos e segui-los. (BAUMAN, 2003).
Como sobreviver na resistência, só é possível se tivermos minimamente equilibradas essas questões, caso contrário, o conforto do mundo virtual é a escolha mais adequada no limite da loucura. E o Big Brother é o retrato da sociedade contemporâneo, em que a todo instante tem-se que lidar com a idéia: de ocupar um espaço em comum com pessoas que ao mesmo tempo são tão próximas e tão imensamente estranhas; que as fronteiras são apenas imaginarias dado que a qualquer momento podemos ser vitimas da violência, da exclusão, das paixões, dos interesses, que para me sentir incluído e percebido quando respondo aos padrões estéticos, que aboliram a ética e a moral.dos vícios; que o “controle” ao mesmo tempo que me atinge é reproduzido quando remeto ao outro meu olhar segregador e preconceituoso, como também, exerço a função materializada do olho que tudo vê. Seja bem vindo a sociedade do espetáculo e da insegurança. Bauman afirma que o Estado não é mais o instrumento capaz de reerguer a bandeira da estabilidade social:
“Entre as totalidades imaginárias a que as pessoas acreditavam pertencer e aonde acreditavam poder procurar (e eventualmente encontrar) abrigo, um vazio boceja no lugar outrora ocupado pela ‘sociedade’. Esse termo já representou o Estado, armado com meios de coerção e também com meios poderosos para corrigir pelo menos as injustiças sociais mais ultrajantes. Esse Estado está sumindo de nossa vista. Esperar que o Estado, se chamado ou pressionado adequadamente, fará algo palpável para mitigar a insegurança da existência não é muito mais realista do que esperar o fim da seca por meio de uma dança da chuva”. (Bauman, 2003)
Abstrair-se desse amaranhado de questões não é uma empreitada muito fácil. O mercado subjugou todos os campos da vida, até mesmo os seres humanos ganharam coloridas roupagens tornando-se produtos prontos para consumo. Se entendermos, que não há mais um centro de poder que emite ondas virulentas precisa-se avançar numa resistência que supere também um olhar centralizador, ou seja, que produza também “micro-contrapoderes” que exerçam a função de “desconstrução” do conjunto representativo do Império, produzindo assim, uma resistência que absorva do pensamento global as fissuras que permitem a luta local.
É nesse ponto que a insegurança no mundo atual pode conter as sementes germinadoras de uma mudança potencializadora de cenários outros que visualizem na multiplicidade existencial um rearranjo das questões públicas, onde se torna possível visualizar a liberdade e identificar o rosto humano. O espaço da resistência está na formulação de uma rede criativa que se conecte numa luta em torno dos signos e que formule proposições de “constituição do comum” que redimensione suas estratégias atualizando as noções de tempo e espaço como também fazendo dos aparelhos do Estado campos de tensão e de embate do pensamento e de conquista.
celso andreon disse isso em 5 05UTC janeiro 05UTC 2009 às 08:03