postarei aqui o resto do primeiro capitulo da minha monografia. eu estou meio sem saco para terminar a monografia e escrever outro capitulo…
to meio de saco cheio do assunto, é hora de dar uma parada, é hora de um exido, transitar por novas areas, criar um deserto ao meu redor.
então, estou caminhando por alguns estudos sobre a decada de 70 e 80 na italia que de uma certa forma faz ressonancia com o maio de 68 na frança, é claro que cada “movimento” tem suas partiularidades. produção imaterial, biopolitico, operaismo, autonomia operaria, hibridismo etc… alguns livros: imperio, trabalho imaterial, abecedario biopolito “de volta”, a genealogia do virtual, tecnologias do saber, arvores do conhecimento, mil platos, conversações, critica e clinica, são muitos livros. Alguns autores são de extrema importancia para essa nova “viagem”: Hardt, negri, deleuze, guattari, levy, lipovetsky, foucault, bauman…
chega um momento que as coisas ficam complexas, e esse é o momento, momento dificil de traçar uma meta. fico me perguntando: qual o objetivo dessa monografia? e a resposta é idiota: apenas falar o que outras pessoas já disseram, é conversar com esses autores, o que me parece bem babaca, repetir algo que já foi dito, mas é isso ai, exigencia academica. vamos fazer uma monografia hibrida, falamos um pouco de um, colamos um pedaó de outro, transformamos argumentos dos outros em nossas palavras e pronto, esta ai uma monografia 10.
era um desabafo que eu precisava fazer rapaziada, um grito contido.
O meu grande e caro amigo rafael vem fazendo uns comentarios bem pertinentes aqui no blog, por incrivel que parece ele teve uma percepção sobre a minha monografia, que foi a parte que falarei sobre a arquitetura, incrivelmente usamos o Bauman para argumentar sobre isso. esse post então vai ser uma retrucada para o rafael, mesmo que esse texto já exista antes da pergunta dele. fico impressionando com a capacidade de algumas pessoas terem essa capaidade de compreenderem, de perceberem certas tendencias, coisas que estão por vir…
e é nisso que pretendo trabalhar depois que acabar com a minha monografia, vou trabalhar em algo mais politico, trazer aqui para o blog algumas tendencias politicas que estão a se formar, acabarei com essa argumentação academica que é um tanto quanto babaca, e superficial. pretendo entrar em algo mais biopolitico, ação viceral…
este será um dos ultimos posts então nessa linha “academica” pelo menos por um tempo. aproveitem.
“E, se encontrarem resistência, recorrem à guerra, considerando como justa causa de guerra o fato de um povo possuir uma extensão de terra vazia e sem qualquer utilidade, impedindo os outros dela se utilizarem e aproveitarem, pois, de acordo com a lei da natureza, todo homem tem direito a alimentar-se e a tirar da terra o seu sustento.”
Thomas More
“É preciso defender a sociedade”
Michel Foucault
1.1 As utopias e a modernidade esperançosa.
Nesse primeiro capitulo acreditamos ser importante fazer alguns apontamentos sobre a literatura utópica e distopica, pois, existem nessas literaturas maquinas desejantes, sonhos, projetos políticos, idéias, virtualidades e possibilidades nas entrelinhas dessas literaturas. É preciso então, fazer uma certa analise do discurso. Quem são os autores? Quais os “lugares” sociais desses autores? Para quem esses autores escrevem? Para qual publico? Quais idéias que os autores defendem? Para alem da analise do discurso é necessário também um breve estudo sobre as utopias e distopias. Quando esses gêneros literários ganharam força? Quais os motivos para o crescimento desse tipo de literatura? O que influencia os autores a escrever esse tipo de literatura? Eis aqui um complexo jogo de perguntas que pretendo responder, ou pelo menos apontar algumas direções.
Inicialmente neste primeiro capitulo passearemos por varias utopias e distopias a fim de conhecer um pouco mais sobre esse gênero literário, e por fim falaremos especificamente sobre as influencias que Orwell teve para escrever o livro 1984.
Acredita-se que o termo Utopia tenha sido usado pela primeira vez por Thomaz More, que escreveu um livro com esse mesmo nome: Utopia. A obra de More é um clássico do gênero utópico. Utopia na literatura de More é o nome de uma cidade,um lugar de justiça, onde todos são iguais e as coisas acontecem perfeitamente, segundo os ideais que o autor defende é claro. A verdade é que termo Utopia significa “Não-Lugar”, ou seja um lugar que não existe. More usa a literatura para criar um local, que não existe na vida real, um local perfeito uma cidade perfeita, porem esse local só existe na literatura.
No livro de More um viajante que conheceu a cidade chamada Utopia começa a responder uma serie de perguntas feitas por autoridades locais sobre esta cidade imaginaria. De acordo com as respostas, podemos perceber que o viajante descreve as características físicas dessa cidade, as características físicas(ler 1.2, sobre as utopias arquitetônicas e urbanísticas. Para entender a importância dos locais planejados na manutenção e criação da sociedade.) e de como os poderes se manifestam nessa sociedade. A conseqüência é que essas respostas são também uma críticas a todos os seus entrevistadores. Já que esses entrevistadores são pessoas que representam algum tipo de poder (monárquico, eclesiástico, econômico) na sociedade contemporânea ao momento da escrita da utopia de More.
More ao escrever o livro Utopia faz um exercício básico dos escritores dis(utópicos) que é fazer uma crítica a sua própria sociedade criando uma sociedade ideal em outro espaço (que é o caso do livro de More) ou tempo ( que é o caso de Admiravel Mundo Novo de Aldous Huxley e do 1984 de George Orwell). Essa mobilização do espaço ou tempo é para que se evite uma possível censura, ou problemas de edição e de impressão das obras literarias.
Apesar da obra A Republica de Platão ser uma espécie de utopia da antiguidade, o gênero literário Utopico vai ganhar grande potencia durante a modernidade, sendo influenciada principalmente pelo iluminismo e pelas series de revoluções no campo da política e das tecnologias em geral.
A republica florescente da revolução francesa, e os ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade juntamente com a possibilidade do desenvolvimento e crescimento materiais e econômicos causado pela revolução industrial na Europa levou muitas pessoas a acreditarem na possibilidade de um futuro melhor, numa sociedade mais justa e igualitária. Foi nesse contexto que eclodiu a literatura utópica.
A literatura utópica critica a sociedade atual, e cria uma sociedade “melhor”. É preciso entender que essa literatura, essas sociedades existentes apenas na literatura, eram os sonhos de muitas pessoas, e mais profundamente, essas obras eram projetos políticos.
Essa literatura servia como forma de inspiração para uma nova sociedade, era uma espécie de modelo a ser seguido, um modelo ideal. Juntamente com o nascimento da literatura utópica, nasce uma literatura utópica de locais, ou seja livros teóricos de arquitetura e urbanismo que descrevem literalmente como as novas cidades devem ser construidas para sustentarem a utopia de uma nova sociedade. Assim percebemos a importância da arquitetura do local para a construção de uma nova sociedade. Devido a importância desse assunto nosso próximo tópico trabalhará a literatura utópica da arquitetura e do urbanismo como exemplos de como as obras utópicas eram vistas como modelos políticos, sociais e econômicos para a construção de uma nova ordem, e de uma sociedade melhor.
Fica claro então que as utopias literárias, como as utopias arquitetônicas não são apenas literaturas feitas para o divertimento, existe nesses textos utópicos, todo um discurso sócio-político e econômico, um modelo que sirve de guia para uma nova sociedade.
Algumas pessoas podem argumentar que esses modelos utópicos para uma sociedade futura vinham apenas das mentes iluminadas e com maior grau de escolaridade ou esclarecimento, porem Bauman sustenta uma posição bem divergente a isso com o seguinte argumento:
“Planejado, o espaço moderno tinha que ser rígido, solido, permanente e inegociável. Concreto e aço seriam a sua carne, a malha de ferrovias e rodovias os seus vasos sanguineos. Os escritores das modernas utopias não distinguiram entre ordem a social e a arquitetonica (…) para eles [os escritores utópicos][1] – assim como para seus contemporâneos encarregados da manutenção da ordem social – a chave para uma sociedade ordeira devia ser procurada na organização do espaço” (BAUMAN, 1999. p. 25)
Assim Bauman argumenta que existia um pensamento coletivo, um desejo baseado numa sociedade melhor, mais organizada, uma sociedade racional, arquitetada. Essas sociedades seriam as sociedades do futuro, ou sociedades utópicas, que existiam apenas no papel. A literatura utópica, como a arquitetura utópica então eram projetos a serem concluídos futuramente. Uma coletividade acreditava que essa sociedade seria possível, por isso o gênero utópico vai ganhar potencia nesse contexto Iluminista, e da revolução industrial. Pois é nesse contexto em que a igualdade, fraternidade, liberdade e as inovações tecnológicas vão proporcionar aos homens alguns desejos de construção de uma nova ordem social, e os projetos dessa nova ordem estão presentes nas utopias.
1.2 arquitetura utópica. O local como suporte para a sociedade.
“Os escritores das modernas utopias não distinguiram entre a ordem social e arquitetônica(…) a chave para uma sociedade ordeira devia ser procurada na organização do espaço”
Zygmunt Bauman
“Oh admirável mundo novo”
Shakespere
A afirmação de Bauman nos dá luz a duas formas de pensamento. A Primeira é que a sociedade funciona da mesma forma que uma cidade, ou seja, se bem planejada a sociedade funcionará muito bem, se a sociedade crescer sem nenhum planejamento ela tenderá a ruir. A outra forma de pensamento que podemos perceber é que a sociedade cresce e se desenvolve dentro de um espaço, se bem planejado esse espaço ajudará na “modernização” dessa sociedade.
O iluminismo trouxe as luzes da razão para o cerne da modernidade, e das ciências em geral, claramente podemos perceber uma racionalização na arquitetura, que virou um instrumento de modernização de locais e consequentemente das sociedades em que viviam nesses locais.
As cidades segundo os arquitetos modernos deveria ser um local “limpo”. Consideremos limpeza aqui com um duplo sentido, sendo eles: primeiramente o local sem sujeira, higiênico, sem doenças, com ruas organizadas, prédios públicos, instituições de poder e serviços bem localizados, era a limpeza visual, que localiza algumas instituições em locais estratégicos para que pudessem vigiar e disciplinar[2] essa sociedade, mas era também uma limpeza higiênica, que trouxe sistemas de esgoto, tirou os ratos das ruas, urbanizou e organizou as cidades. Em segundo plano consideraremos a limpeza da cidade como exclusão de alguns elementos da sociedade, por exemplo: os criminosos da sociedade, esses foram enjaulados na cadeia, assim como os loucos nos hospícios, e os doentes na hospital.
A sociedade precisou desses novos espaços para organizar-se. Foram precisos então locais de aprisionamento, mas também esses locais deveriam ser de disciplina, de recondicionamento. Eis a importância da arquitetura e do urbanismo na modernidade. A partir desses ideais de “limpeza” e “modernização” os arquitetos utopicos da modernidade criaram uma vasta literatura teórica sobre como os espaços públicos deveriam ser para que se houvesse uma optimização da sociedade.
Segundo Bauman (1999) a totalidade social deveria ser uma hierarquia onde o estado ocuparia o topo dessa hierarquia, supervisionando e vigiando o resto da sociedade. Como apontamos acima a sociedade é reflexo do local onde vive, funciona da mesma maneira, seguindo as mesmas dinâmicas. Sendo assim uma cidade perfeita para os arquitetos utópicos da modernidade seria uma cidade totalmente projetada para que as instituições estatais pudessem ocupar o centros das cidades, e essas instituições deveriam ter uma visibilidade total do resto da sociedade, e contrariamente a isso os prédios estatais que deveriam ocupar o centro da cidade seriam locais opacos, impossíveis de se ver o interior. Fica aqui uma clara alusão ao modelo Panóptico de Bentham, onde poucos vigiam muitos, e os muitos por se sentirem sempre vigiados acabam interiorizando hábitos, e se auto-disciplinando para que não sofram sansões.
Bauman (1999) aponta os Estudos de Steven Flusty para analisar alguma formas de “espaços proibidos” esses espaços são criados como formas de barreiras afim de reconhecer, impedir ou expulsar alguns usuários de espaços que eles não deveriam ocupar, ou ao contrario, espaços que os sujeitos não deveriam abandonar, que é o caso dos prisioneiros, dos alunos e dos doentes.
Segundo Flusty (isso esta no livro do bauman, não sei como fazer a referencia) “espaço espinhoso” é um espaço que não pode ser ocupado confortavelmente, quase sempre usa-se as grades ou muros para que se impossibilite o transito das pessoas, é o caso de se manter os presos nas cadeias, mas é também o espaço que proíbe subversores de invadir os locais de poder. Já o “espaço nervoso” é o local onde se esta em constante vigilância e monitoramento.
Essas barreiras, ou espaços proibidos[3] estão intrisecamente ligados a algumas questões dessa pesquisa, esses espaços criados pela arquitetura estão presentes não somente nas cidades e sociedades modernas (disciplinares) como nas sociedades pós-moderna (controle), esses espaços estão presentes nas utopias arquitetônicas, e na distopia de 1984[4] de George Orwell.
É preciso entender então a importância da arquitetura, ou melhor da criação de espaços planejados afim de se obter certos resultados. Os espaços proibidos são formas de selecionar e excluir alguns elementos da sociedade, é uma forma de tornar a cidade um local melhor, é a realização da utopia.
É importante então que notemos o seguinte: as utopias são projetos políticos, são os desejos de construção de uma sociedade melhor. As utopias arquitetônicas seguem os mesmos desejos, a da construção de uma sociedade melhor, uma sociedade “pré-moldada” por esses desejos. Interessante é percebermos como essas utopias se realizaram, os modelos para as cidades projetadas foram em partes construídos, os espaços proibidos também se realizaram, e as utopias, os sonhos, as lutas da sociedade foram se realizando aos poucos.
Mas quando realizados alguns dos sonhos, foi percebido que a sociedade continuava com alguns problemas, e novas lutas deveriam surgir. A igualdade não veio, nem a fraternidade, a exclusão social aumentou. Apesar dos avanços tecnológicos os abismos econômicos e socias entre alguns grupos só fez o abismo aumentar, e o pior de tudo: a liberdade com as novas tecnologias esta cada vez mais distante. Na pós modernidade a privacidade já foi declarada como morta.
1.3 DISTOPIAS: A DESCRENÇA DA PÓS-MODERNIDADE.
“Disse que daqui para frente seguiria só. Não se prenderia a nada (…) é hora de virar as costas e seguir. Um dia ia acontecer. Sem deuses e sem mestres (…) Orgulhoso em ver. Daqui para frente só você.”
Dead Fish
Alguns desejos da sociedade foram se realizando durante a modernidade, e as utopias foram se concretizando parcialmente, aconteceu um grande desapontamento com as transformações na sociedade. Pois mesmo com algumas utopias se tornando realidade, novos problemas foram aparecendo, muitas das coisas prometidas e almejadas pelas utopias modernas também não foram alcançadas e como tido acima muitas coisas até pioraram. Então na modernidade tardia, no inicio do século XX até a metade desse mesmo século, a descrença nos projetos políticos utópicos cresceu, muita coisas mudanças não vingaram, assim uma serie de escritores começam a não mais escrever sobre um projeto político positivo, mais começam então a mostrar como a sociedade pode se desenvolver para pior. Os utópicos escreviam suas obras a partir de descobrimentos no campo material e imaterial, usavam essas novas tecnologias na esperança de se construir uma sociedade melhor. Mas, essa sociedade não veio, então os escritores distopicos se usam da mesma técnica da utopia, pesquisam, e são sempre bem informados sobre as novas tecnologias materiais e imateriais de sua época. Porem na hora de escreverem suas obras, eles mostram a possibilidade “negativa” do uso dessas tecnologias.
Foi nesse contexto da descrença de uma melhora que o gênero literário distopico cresceu e ganhou potencia. A distopia é exatamente o contrario da utopia, se a utopia acredita que a sociedade pode melhorar, a distopia acredita que se as coisas andam ruins elas ainda podem piorar. Então fica claro que o gênero literário distopico é uma resposta as utopias. É possível que vejamos a distopia como uma atualização das utopias. Mesmo que em partes, as utopias se realizaram, alguns problemas sócias continuaram, e a ordem social tão desejada, planejada e racionalizada pelas utopias modernas não foi atingida.
Interessante que ao contrario das utopias modernas, que propunham uma sociedade melhor construída pelos homens, graças é claro as influencias do humanismo, as obras distopicas não propõem a construção de uma sociedade pelos homens. A distopia não propõem um projeto político para ser construído. Esse projeto é construído por algumas poucas pessoas, uma oligarquia, uma elite. O homem nas obras distopicas estão mortos, vivem numa apatia política, e são meros fantoches. A morte do homem é muito bem abordada no 1984.
Então algumas obras distopicas como Nós de Zamiatan, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, e 1984 de George Orwell fizeram algumas criticas a sociedade utópica que não se realizou, ou melhor se realizou em parte, mas não se realizou do modo sonhado, do modo esperado. Por isso os distopicos acreditam que as mudanças para o pior são inevitáveis, sempre se terá pelo que lutar.
Se as utopias são projetos para um futuro desejado, por um futuro melhor, as distopias são mais uma forma de mostrar como inevitavelmente as coisas podem acontecer. É um diferença básica que podemos perceber. As utopias criticam as sociedades em que vivem, e criticam também as formas de poder vigentes nessa sociedade, no entanto a critica é feita com alguns respostas, e uma nova proposição. Essa proposição utópica sempre se mostra melhor que o atual projeto político da sociedade. Os utópicos tem projetos, apontam novas direções que as sociedades devem tomar, os utópicos e modernos acreditam então em novos projetos. As distopias é um gênero literário que cresce as bordas do nascimento da pós-modernidade.
O que estamos propondo então é: as utopias são: de uma maneira genérica pertencentes ao período moderno, e as utopias ao período pós-moderno[5]. Mas quais as características que a pós-modernidade tem em comum com a distopia?
Eu pesquisei em minha monografia a obra 1984, porem para apontar algumas características entre a pós-modernidade e a literatura distopica eu usarei outras obras também. Pretendo então fazer um quadro geral dessa analise, para demonstrar ser cabível o que pretendo fazer no capitulo três dessa monografia, que é apontar algumas características pós-modernas na obra 1984. Porem essa obra é um hibrido, entre modernidade e pós modernidade, entre sociedade disciplinar e sociedade do controle. Não pretendo dizer que a obra está fechada em um único espaço tempo, então faço uma dobra no 1984.
Na obra Nós de Zamiatam a característica mais atroz da pós-modernidade é a perda da privacidade, assim como na obra 1984. Mas o 1984 além dessa caracteristica de perda de privacidade ele apresenta o ceticismo tão característico da pós-modernidade. O personagem princiapal do 1984 Wistom Smith não acredita em nada que as tele-telas[6] dizem. Já o Admiravel Mundo Novo de Huxley tem uma característica pós moderna que é o viver “aqui e agora”. As pessoas perderam as crenças gerias, não existe mais religião, as pessoas nessa sociedade materialmente hiper-evoluida não se preocupam mais com a moral moderna. Sexo é uma espécie de esporte, e é sadio sempre mudar de parceiro. Nada deve ser reciclado ou reaproveitado. Estragou? compra um novo. Essa é uma característica da fluidez pós-moderna, tudo é passageiro, tudo é fluxo, correria.
Visceral
[1] O grifo é meu.
[2] Podemos pensar uma cidade no modelo panóptico, onde o centro tem a visibilidade da periferia e a periferia não tem a visibilidade do centro, de forma que a periferia acaba interiorizando a vigilância pois nunca sabe quando se esta sendo vigiado. O modelo do panóptico será melhor apresentado no capitulo sobre a modernidade.
[3] Existe uma grande diferença entre o “espaço espinhoso” e o “espaço nervoso”, o primeiro esta mais ligado a modernidade, a “brutalidade”, ao cimento, aço, ferro e concreto. O segundo esta mais ligado as tecnologias, câmeras de seguranças, sensores de movimento, mais ligados então a pós-modernidade, e a sociedade de controle.
[4] Como dito na introdução dessa pesquisa, eu trabalho o livro 1984 como um hibrido entre a sociedade disciplinar e a do controle. Caracterizo então elementos da disciplina e do controle. Segundo Deleuze no livro Conversações a mudança da tecnologia de poder entre a sociedade disciplinar e a sociedade do controle acontece nas proximidades da segunda guerra mundial, exatamente o contexto em que o livro 1984 foi escrito.
[5] Na quarta nota de roda pé eu aponto o estudo de Deleuze que propõem que a sociedade de controle e a pós modernidade começam a se desenvolver depois da segunda guerra mundial, dessa maneira as obras distopicas Nós, Admirável Mundo Novo e 1984 estão no espaço tempo da modernidade. Mas eu acredito que não se muda as formas de poder, as tecnologias de poder de uma hora para outras, as rupturas acontecem de pouco e pouco, e tendem até mesmo a dar continuidade algumas coisas. Mesmo assim classifico as obras distopicas como pós-modernas, mesmo que elas tenham algumas continuidades da modernidade, essa literatura já contem percepções pós-modernas.
[6] Tele-Telas é uma espécie de televisão e câmera de filmagem ao mesmo tempo. Tudo o que passa nessa televisão vem do Estado totalitário em que o personagem vive, tudo controlado por um Ministerio da Verdade ( onde Smith trabalha). Esse ministério é uma espécie de falsificador do passado, pois sempre modifica as informações passadas, e ao mesmo tempo é também uma censura, que só permite que as tele-teles informem coisas boas sobre o Estado.
descupem os erros de portugues, mas quando escrevo é um fluxo que me consome, não tenho muita paciencia nem vontade de voltar e re-ler, nem fazer correções ortograficas. sou do tipo: leia e entenda, se te provocar algo, se te faz sentir, se for um afecto, um “bom encontro” use, releia. se não entendeu, não te serviu para nada, então vá embora, fuja. não gosto muito das regras gramaticais tambem, a mim só importa a comunicação o fato de tornar comum a informação, fazer passar as coisas pela multidão.
abraços
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