não é o fim…

•22 22UTC junho 22UTC 2009 • 1 Comentário

é que eu não acredito mesmo num fim… mas esse é o ultimo post nesse blog.

algumas explicações devem ser dadas. me parece que a minha pesquisa chegou a um momento critico. onde nao descubro mais nada, estou estagnado, parece que temporariamente os estudos sobre o 1984, as utopias modernas e pós modernas já foram bem estudadas. a sociedade hibrida que eu desejava mostrar foi revelada, um mix, um momento de transição entra sociedade disciplinar e sociedade de controle. fiz varios apontamentos nesse sentido.

a arquitetura foi importante no sentido de mostrar as criações de espaços espinhosos (disciplinar) e espaços nervosos (controle). bem acho que o assunto realmente se esgotou. pretendo então continuar as minhas pesquisas em outras areas, mas não pretendo abandonar totalmente este estudos, pode ser apenas uma pausa por tempo indeterminado!

penso que como eu disse anteriormente em minhas conversas com o Celson que esse site era muito restrito, digo era uma forma de mostrar apenas uma parte da multipla sociedade em que vivemos. então agora pretendo passear por mais assuntos, redefinir minha cartografia, passear por novos campos tornando eles em desertos.

gostaria de então fazer alguns apontamentos sobre o meu novo blog. provavelmente ele tera meu nome, algo como www.muriloesteves.wordpress.com , ou algo do genero. pretendo então trabalhar as novas perspectivas do marxismo, ou da nova esquerda apartir da decade de 60 até os dias atuais. as novas formas de resistencia ao capital, as novas formacoes politicas, os locais de exeção, o intermezzo no império. de uma certa forma pretendo então trazer o debate mais para o campo politico e com coisas mais atuais. espero que gostem… com disse não é um fim, é um novo começo.

mas esse novo blog tambem havera surpresas, pretendo lançar alguns ensaios, analise de filmes, CD`s, livros, pretendo escrever alguns contos e etc… vai ser algo mais organico.

é isso, abraços…

De volta, ação visceral, futuro anterior, presente atemporal e biopolitica.

•11 11UTC junho 11UTC 2009 • 1 Comentário

postarei aqui o resto do primeiro capitulo da minha monografia. eu estou meio sem saco para terminar a monografia e escrever outro capitulo…

to  meio de saco cheio do assunto, é hora de dar uma parada, é hora de um exido, transitar por novas areas, criar um deserto ao meu redor.

então, estou caminhando por alguns estudos sobre a decada de 70 e 80 na italia que de uma certa forma faz ressonancia com o maio de 68 na frança, é claro que cada “movimento” tem suas partiularidades. produção imaterial, biopolitico, operaismo, autonomia operaria, hibridismo etc… alguns livros: imperio, trabalho imaterial, abecedario biopolito “de volta”, a genealogia do virtual, tecnologias do saber, arvores do conhecimento, mil platos, conversações, critica e clinica, são muitos livros. Alguns autores são de extrema importancia para essa nova “viagem”: Hardt, negri, deleuze, guattari, levy, lipovetsky, foucault, bauman…

chega um momento que as coisas ficam complexas, e esse é o momento, momento dificil de traçar uma meta. fico me perguntando: qual o objetivo dessa monografia? e a resposta é idiota: apenas falar o que outras pessoas já disseram, é conversar com esses autores, o que me parece bem babaca, repetir algo que já foi dito, mas é isso ai, exigencia academica. vamos fazer uma monografia hibrida, falamos um pouco de um, colamos um pedaó de outro, transformamos argumentos dos outros em nossas palavras e pronto, esta ai uma monografia 10.

era um desabafo que eu precisava fazer rapaziada, um grito contido.

O meu grande e caro amigo rafael vem fazendo uns comentarios bem pertinentes aqui no blog, por incrivel que parece ele teve uma percepção sobre a minha monografia, que foi a parte que falarei sobre a arquitetura, incrivelmente usamos o Bauman para argumentar sobre isso. esse post então vai ser uma retrucada para o rafael, mesmo que esse texto já exista antes da pergunta dele. fico impressionando com a capacidade de algumas pessoas terem essa capaidade de compreenderem, de perceberem certas tendencias, coisas que estão por vir…

e é nisso que pretendo trabalhar depois que acabar com a minha monografia, vou trabalhar em algo mais politico, trazer aqui para o blog algumas tendencias politicas que estão a se formar, acabarei com essa argumentação academica que é um tanto quanto babaca, e superficial. pretendo entrar em algo mais biopolitico, ação viceral…

este será um dos ultimos posts então nessa linha “academica” pelo menos por um tempo. aproveitem.

                           “E, se encontrarem resistência, recorrem à guerra, considerando como justa causa de guerra o fato de um povo possuir uma extensão de terra vazia e sem qualquer utilidade, impedindo os outros dela se utilizarem e aproveitarem, pois, de acordo com a lei da natureza, todo homem tem direito a alimentar-se e a tirar da terra o seu sustento.”

Thomas More

“É preciso defender a sociedade”

Michel Foucault

1.1 As utopias e a modernidade esperançosa.

Nesse primeiro capitulo acreditamos ser importante fazer alguns apontamentos sobre a literatura utópica e distopica, pois, existem nessas literaturas maquinas desejantes, sonhos, projetos políticos, idéias, virtualidades e possibilidades nas entrelinhas dessas literaturas. É preciso então, fazer uma certa analise do discurso. Quem são os autores? Quais os “lugares” sociais desses autores? Para quem esses autores escrevem? Para qual publico? Quais idéias que os autores defendem? Para alem da analise do discurso é necessário também um breve estudo sobre as utopias e distopias. Quando esses gêneros literários ganharam força? Quais os motivos para o crescimento desse tipo de literatura? O que influencia os autores a escrever esse tipo de literatura? Eis aqui um complexo jogo de perguntas que pretendo responder, ou pelo menos apontar algumas direções.

Inicialmente neste primeiro capitulo passearemos por varias utopias e distopias a fim de conhecer um pouco mais sobre esse gênero literário, e por fim falaremos especificamente sobre as influencias que Orwell teve para escrever o livro 1984.

Acredita-se que o termo Utopia tenha sido usado pela primeira vez por Thomaz More, que escreveu um livro com esse mesmo nome: Utopia. A obra de More é um clássico do gênero utópico. Utopia na literatura de More é o nome de uma cidade,um lugar de justiça, onde todos são iguais e as coisas acontecem perfeitamente, segundo os ideais que o autor defende é claro. A verdade é que termo Utopia significa “Não-Lugar”, ou seja um lugar que não existe. More usa a literatura para criar um local, que não existe na vida real, um local perfeito uma cidade perfeita, porem esse local só existe na literatura.

 No livro de More um viajante que conheceu a cidade chamada Utopia começa a responder uma serie de perguntas feitas por autoridades locais sobre esta cidade imaginaria. De acordo com as respostas, podemos perceber que o viajante descreve as características físicas dessa cidade,  as características físicas(ler 1.2, sobre as utopias arquitetônicas e urbanísticas. Para entender a importância dos locais planejados na manutenção e criação da sociedade.) e de como os poderes se manifestam nessa sociedade. A conseqüência é que essas respostas  são também uma críticas a todos os seus entrevistadores. Já que esses entrevistadores são pessoas que representam algum tipo de poder (monárquico, eclesiástico, econômico) na sociedade contemporânea ao momento da escrita da utopia de More.

More ao escrever o livro Utopia faz um exercício básico dos escritores dis(utópicos) que é fazer uma crítica a sua própria sociedade criando uma sociedade ideal em outro espaço (que é o caso do livro de More) ou tempo ( que é o caso de Admiravel Mundo Novo de Aldous Huxley e do 1984 de George Orwell). Essa mobilização do espaço ou tempo é para que se evite uma possível censura, ou problemas de edição e de impressão das obras literarias.

Apesar da obra A Republica de Platão ser uma espécie de utopia da antiguidade, o gênero literário Utopico vai ganhar grande potencia durante a modernidade, sendo influenciada principalmente pelo iluminismo e pelas series de revoluções no campo da política e das tecnologias em geral.

A republica florescente da revolução francesa, e os ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade juntamente com a possibilidade do desenvolvimento e crescimento materiais e econômicos causado pela revolução industrial na Europa levou muitas pessoas a acreditarem na possibilidade de um futuro melhor, numa sociedade mais justa e igualitária. Foi nesse contexto que eclodiu a literatura utópica.

A literatura utópica critica a sociedade atual, e cria uma sociedade “melhor”. É preciso entender que essa literatura, essas sociedades existentes apenas na literatura, eram os sonhos de muitas pessoas, e mais profundamente, essas obras eram projetos políticos.

Essa literatura servia como forma de inspiração para uma nova sociedade, era uma espécie de modelo a ser seguido, um modelo ideal. Juntamente com o nascimento da literatura utópica, nasce uma literatura utópica de locais, ou seja livros teóricos de arquitetura e urbanismo que descrevem literalmente como as novas cidades devem ser construidas para sustentarem a utopia de uma nova sociedade. Assim percebemos a importância da arquitetura do local para a construção de uma nova sociedade. Devido a importância desse assunto nosso próximo tópico trabalhará a literatura utópica da arquitetura e do urbanismo como exemplos de como as obras utópicas eram vistas como modelos políticos, sociais e econômicos para a construção de uma nova ordem, e de uma sociedade melhor.

Fica claro então que as utopias literárias, como as utopias arquitetônicas não são apenas literaturas feitas para o divertimento, existe nesses textos utópicos, todo um discurso sócio-político e econômico, um modelo que sirve de guia para uma nova sociedade.

Algumas pessoas podem argumentar que esses modelos utópicos para uma sociedade futura vinham apenas das mentes iluminadas e com maior grau de escolaridade ou esclarecimento, porem Bauman sustenta uma posição bem divergente a isso com o seguinte argumento:

“Planejado, o espaço moderno tinha que ser rígido, solido, permanente e inegociável. Concreto e aço seriam a sua carne, a malha de ferrovias e rodovias os seus vasos sanguineos. Os escritores das modernas utopias não distinguiram entre ordem a social e a arquitetonica (…) para eles [os escritores utópicos][1] – assim como para seus contemporâneos encarregados da manutenção da ordem social – a chave para uma sociedade ordeira devia ser procurada na organização do espaço”             (BAUMAN, 1999. p. 25)

 

Assim Bauman argumenta que existia um pensamento coletivo, um desejo baseado numa sociedade melhor, mais organizada, uma sociedade racional, arquitetada. Essas sociedades seriam as sociedades do futuro, ou sociedades utópicas, que existiam apenas no papel. A literatura utópica, como a arquitetura utópica então eram projetos a serem concluídos futuramente. Uma coletividade acreditava que essa sociedade seria possível, por isso o gênero utópico vai ganhar potencia nesse contexto Iluminista, e da revolução industrial. Pois é nesse contexto em que a igualdade, fraternidade, liberdade e as inovações tecnológicas vão proporcionar aos homens alguns desejos de construção de uma nova ordem social, e os projetos dessa nova ordem estão presentes nas utopias.

 

 

1.2 arquitetura utópica. O local como suporte para a sociedade.

“Os escritores das modernas utopias não distinguiram entre a ordem social e arquitetônica(…) a chave para uma sociedade ordeira devia ser procurada na organização do espaço”

Zygmunt Bauman

“Oh admirável mundo novo”

Shakespere

 

A afirmação de Bauman nos dá luz a duas formas de pensamento. A Primeira é que a sociedade funciona da mesma forma que uma cidade, ou seja, se bem planejada a sociedade funcionará muito bem, se a sociedade crescer sem nenhum planejamento ela tenderá a ruir. A outra forma de pensamento que podemos perceber é que a sociedade cresce e se desenvolve dentro de um espaço, se bem planejado esse espaço ajudará na “modernização” dessa sociedade.

O iluminismo trouxe as luzes da razão para o cerne da modernidade, e das ciências em geral, claramente podemos perceber uma racionalização na arquitetura, que virou um instrumento de modernização de locais e consequentemente das sociedades em que viviam nesses locais.

As cidades segundo os arquitetos modernos deveria ser um local “limpo”. Consideremos limpeza aqui com um duplo sentido, sendo eles: primeiramente o local sem sujeira, higiênico, sem doenças, com ruas organizadas, prédios públicos, instituições de poder e serviços bem localizados, era a limpeza visual, que localiza algumas instituições em locais estratégicos para que pudessem vigiar e disciplinar[2] essa sociedade, mas era também uma limpeza higiênica, que trouxe sistemas de esgoto, tirou os ratos das ruas, urbanizou e organizou as cidades. Em segundo plano consideraremos a limpeza da cidade como exclusão de alguns elementos da sociedade, por exemplo: os criminosos da sociedade, esses foram enjaulados na cadeia, assim como os loucos nos hospícios, e os doentes na hospital.

A sociedade precisou desses novos espaços para organizar-se. Foram precisos então locais de aprisionamento, mas também esses locais deveriam ser de disciplina, de recondicionamento. Eis a importância da arquitetura e do urbanismo na modernidade. A partir desses ideais de “limpeza” e “modernização” os arquitetos utopicos da modernidade criaram uma vasta literatura teórica sobre como os espaços públicos deveriam ser para que se houvesse uma optimização da sociedade.

 

Segundo Bauman (1999) a totalidade social deveria ser uma hierarquia onde o estado ocuparia o topo dessa hierarquia, supervisionando e vigiando o resto da sociedade. Como apontamos acima a sociedade é reflexo do local onde vive, funciona da mesma maneira, seguindo as mesmas dinâmicas. Sendo assim uma cidade perfeita para os arquitetos utópicos da modernidade seria uma cidade totalmente projetada para que as instituições estatais pudessem ocupar o centros das cidades, e essas instituições deveriam ter uma visibilidade total do resto da sociedade, e contrariamente a isso os prédios estatais que deveriam ocupar o centro da cidade seriam locais opacos, impossíveis de se ver o interior. Fica aqui uma clara alusão ao modelo Panóptico de Bentham, onde poucos vigiam muitos, e os muitos por se sentirem sempre vigiados acabam interiorizando hábitos, e se auto-disciplinando para que não sofram sansões.

Bauman (1999) aponta os Estudos de Steven Flusty para analisar alguma formas de “espaços proibidos” esses espaços são criados como formas de barreiras afim de reconhecer, impedir ou expulsar alguns usuários de espaços que eles não deveriam ocupar, ou ao contrario, espaços que os sujeitos não deveriam abandonar, que é o caso dos prisioneiros, dos alunos e dos doentes.

Segundo Flusty (isso esta no livro do bauman, não sei como fazer a referencia) “espaço espinhoso” é um espaço             que não pode ser ocupado confortavelmente, quase sempre usa-se as grades ou muros para que se impossibilite o transito das pessoas, é o caso de se manter os presos nas cadeias, mas é também o espaço que proíbe subversores de invadir os locais de poder. Já o “espaço nervoso” é o local onde se esta em constante vigilância e monitoramento.

Essas barreiras, ou espaços proibidos[3] estão intrisecamente ligados a algumas questões dessa pesquisa, esses espaços criados pela arquitetura estão presentes não somente nas cidades e sociedades modernas (disciplinares) como nas sociedades pós-moderna (controle), esses espaços estão presentes nas utopias arquitetônicas, e na distopia de 1984[4] de George Orwell.

É preciso entender então a importância da arquitetura, ou melhor da criação de espaços planejados afim de se obter certos resultados. Os espaços proibidos são formas de selecionar e excluir alguns elementos da sociedade, é uma forma de tornar a cidade um local melhor, é a realização da utopia.

É importante então que notemos o seguinte: as utopias são projetos políticos, são os desejos de construção de uma sociedade melhor. As utopias arquitetônicas seguem os mesmos desejos, a da construção de uma sociedade melhor, uma sociedade “pré-moldada” por esses desejos.  Interessante é percebermos como essas utopias se realizaram, os modelos para as cidades projetadas foram em partes construídos, os espaços proibidos também se realizaram, e as utopias, os sonhos, as lutas da sociedade foram se realizando aos poucos.

Mas quando realizados alguns dos sonhos, foi percebido que a sociedade continuava com alguns problemas, e novas lutas deveriam surgir. A igualdade não veio, nem a fraternidade, a exclusão social aumentou. Apesar dos avanços tecnológicos os abismos econômicos e socias entre alguns grupos só fez o abismo aumentar, e o pior de tudo: a liberdade com as novas tecnologias esta cada vez mais distante. Na pós modernidade a privacidade já foi declarada como morta.

 

 

 

1.3 DISTOPIAS: A DESCRENÇA DA PÓS-MODERNIDADE.

“Disse que daqui para frente seguiria só. Não se prenderia a nada (…) é hora de virar as costas e seguir. Um dia ia acontecer. Sem deuses e sem mestres (…) Orgulhoso em ver. Daqui para frente só você.”

                                                               Dead Fish

Alguns desejos da sociedade foram se realizando durante a modernidade, e as utopias foram se concretizando parcialmente, aconteceu um grande desapontamento com as transformações na sociedade. Pois mesmo com algumas utopias se tornando realidade, novos problemas foram aparecendo, muitas das coisas prometidas e almejadas pelas utopias modernas também não foram alcançadas e como tido acima muitas coisas até pioraram. Então na modernidade tardia, no inicio do século XX até a metade desse mesmo século, a descrença nos projetos políticos utópicos cresceu, muita coisas mudanças não vingaram, assim uma serie de escritores começam a não mais escrever sobre um projeto político positivo, mais começam então a mostrar como a sociedade pode se desenvolver para pior. Os utópicos escreviam suas obras a partir de descobrimentos no campo material e imaterial, usavam essas novas tecnologias na esperança de se construir uma sociedade melhor. Mas, essa sociedade não veio, então os escritores distopicos se usam da mesma técnica da utopia, pesquisam, e são sempre bem informados sobre as novas tecnologias materiais e imateriais de sua época. Porem na hora de escreverem suas obras, eles mostram a possibilidade “negativa” do uso dessas tecnologias.

Foi nesse contexto da descrença de uma melhora que o gênero literário distopico cresceu e ganhou potencia. A distopia é exatamente o contrario da utopia, se a utopia acredita que a sociedade pode melhorar, a distopia acredita que se as coisas andam ruins elas ainda podem piorar. Então fica claro que o gênero literário distopico é uma resposta as utopias. É possível que vejamos a distopia como uma atualização das utopias. Mesmo que em partes, as utopias se realizaram, alguns problemas sócias continuaram, e a ordem social tão desejada, planejada e racionalizada pelas utopias modernas não foi atingida.

Interessante que ao contrario das utopias modernas, que propunham uma sociedade melhor construída pelos homens, graças é claro as influencias do humanismo, as obras distopicas não propõem a construção de uma sociedade pelos homens. A distopia não propõem um projeto político para ser construído. Esse projeto é construído por algumas poucas pessoas, uma oligarquia, uma elite. O homem nas obras distopicas estão mortos, vivem numa apatia política, e são meros fantoches. A morte do homem é muito bem abordada no 1984.

Então algumas obras distopicas como Nós de Zamiatan, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, e 1984 de George Orwell fizeram algumas criticas a sociedade utópica que não se realizou, ou melhor se realizou em parte, mas não se realizou do modo sonhado, do modo esperado. Por isso os distopicos acreditam que as mudanças para o pior são inevitáveis, sempre se terá pelo que lutar.

Se as utopias são projetos para um futuro desejado, por um futuro melhor, as distopias são mais uma forma de mostrar como inevitavelmente as coisas podem acontecer. É um diferença básica que podemos perceber. As utopias criticam as sociedades em que vivem, e criticam também as formas de poder vigentes nessa sociedade, no entanto a critica é feita com alguns respostas, e uma nova proposição. Essa proposição utópica sempre se mostra melhor que o atual projeto político da sociedade. Os utópicos tem projetos, apontam novas direções que as sociedades devem tomar, os utópicos e modernos acreditam então em novos projetos. As distopias é um gênero literário que cresce as bordas do nascimento da pós-modernidade.

O que estamos propondo então é: as utopias são: de uma maneira genérica pertencentes ao período moderno, e as utopias ao período pós-moderno[5]. Mas quais as características que a pós-modernidade tem em comum com a distopia?

Eu pesquisei em minha monografia a obra 1984, porem para apontar algumas características entre a pós-modernidade e a literatura distopica eu usarei outras obras também. Pretendo então fazer um quadro geral dessa analise, para demonstrar ser cabível o que pretendo fazer no capitulo três dessa monografia, que é apontar algumas características pós-modernas na obra 1984. Porem essa obra é um hibrido, entre modernidade e pós modernidade, entre sociedade disciplinar e sociedade do controle. Não pretendo dizer que a obra está fechada em um único espaço tempo, então faço uma dobra no 1984.

Na obra Nós de Zamiatam a característica mais atroz da pós-modernidade é a perda da privacidade, assim como na obra 1984. Mas o 1984 além dessa caracteristica de perda de privacidade ele apresenta o ceticismo tão característico da pós-modernidade. O personagem princiapal do 1984 Wistom Smith não acredita em nada que as tele-telas[6] dizem.   Já o Admiravel Mundo Novo de Huxley tem uma característica pós moderna que é o viver “aqui e agora”. As pessoas perderam as crenças gerias, não existe mais religião, as pessoas nessa sociedade materialmente hiper-evoluida não se preocupam mais com a moral moderna. Sexo é uma espécie de esporte, e é sadio sempre mudar de parceiro. Nada deve ser reciclado ou reaproveitado. Estragou? compra um novo. Essa é uma característica da fluidez pós-moderna, tudo é passageiro, tudo é fluxo, correria.

Visceral

 


[1] O grifo é meu.

[2] Podemos pensar uma cidade no modelo panóptico, onde o centro tem a visibilidade da periferia e a periferia não tem a visibilidade do centro, de forma que a periferia acaba interiorizando a vigilância pois nunca sabe quando se esta sendo vigiado. O modelo do panóptico será melhor apresentado no capitulo sobre a modernidade.

[3] Existe uma grande diferença entre o “espaço espinhoso” e o “espaço nervoso”, o primeiro esta mais ligado a modernidade, a “brutalidade”, ao cimento, aço, ferro e concreto. O segundo esta mais ligado as tecnologias, câmeras de seguranças, sensores de movimento, mais ligados então a pós-modernidade, e a sociedade de controle.

[4] Como dito na introdução dessa pesquisa, eu trabalho o livro 1984 como um hibrido entre a sociedade disciplinar e a do controle. Caracterizo então elementos da disciplina e do controle. Segundo Deleuze no livro Conversações a mudança da tecnologia de poder entre a sociedade disciplinar e a sociedade do controle acontece nas proximidades da segunda guerra mundial, exatamente o contexto em que o livro 1984 foi escrito.

[5] Na quarta nota de roda pé eu aponto o estudo de Deleuze que propõem que a sociedade de controle e a pós modernidade começam a se desenvolver  depois da segunda guerra mundial, dessa maneira as obras distopicas Nós, Admirável Mundo Novo e 1984 estão no espaço tempo da modernidade. Mas eu acredito que não se muda as formas de poder, as tecnologias de poder de uma hora para outras, as rupturas acontecem de pouco e pouco, e tendem até mesmo a dar continuidade algumas coisas. Mesmo assim classifico as obras distopicas como pós-modernas, mesmo que elas tenham algumas continuidades da modernidade, essa literatura já contem percepções pós-modernas.

[6] Tele-Telas é uma espécie de televisão e câmera de filmagem ao mesmo tempo. Tudo o que passa nessa televisão vem do Estado totalitário em que o personagem vive, tudo controlado por um Ministerio da Verdade ( onde Smith trabalha). Esse ministério é uma espécie de falsificador do passado, pois sempre modifica as informações passadas, e ao mesmo tempo é também uma censura, que só permite que as tele-teles informem coisas boas sobre o Estado.

 

descupem os erros de portugues, mas quando escrevo é um fluxo que me consome, não tenho muita paciencia nem vontade de voltar e re-ler, nem fazer correções ortograficas. sou do tipo: leia e entenda, se te provocar algo, se te faz sentir, se for um afecto, um “bom encontro” use, releia. se não entendeu, não te serviu para nada, então vá embora, fuja. não gosto muito das regras gramaticais tambem, a mim só importa a comunicação o fato de tornar comum a informação, fazer passar as coisas pela multidão.

 

abraços

As utopias de uma modernidade esperançosa.

•26 26UTC abril 26UTC 2009 • 4 Comentários
o urbanismo da cidade utopia de more.

o urbanismo da cidade utopia de more.

 

                           “E, se encontrarem resistência, recorrem à guerra, considerando como justa causa de guerra o fato de um povo possuir uma extensão de terra vazia e sem qualquer utilidade, impedindo os outros dela se utilizarem e aproveitarem, pois, de acordo com a lei da natureza, todo homem tem direito a alimentar-se e a tirar da terra o seu sustento.”

Thomas More

“É preciso defender a sociedade”

Michel Foucault

Nesse primeiro capitulo acreditamos ser importante fazer alguns apontamentos sobre a literatura utópica e distopica, pois, existem nessas literaturas maquinas desejantes, sonhos, projetos políticos, idéias, virtualidades e possibilidades nas entrelinhas dessas literaturas. É preciso então, fazer uma certa analise do discurso. Quem são os autores? Quais os “lugares” sociais desses autores? Para quem esses autores escrevem? Para qual publico? Quais idéias que os autores defendem? Para alem da analise do discurso é necessário também um breve estudo sobre as utopias e distopias. Quando esses gêneros literários ganharam força? Quais os motivos para o crescimento desse tipo de literatura? O que influencia os autores a escrever esse tipo de literatura? Eis aqui um complexo jogo de perguntas que pretendo responder, ou pelo menos apontar algumas direções.

Inicialmente neste primeiro capitulo passearemos por varias utopias e distopias a fim de conhecer um pouco mais sobre esse gênero literário, e por fim falaremos especificamente sobre as influencias que Orwell teve para escrever o livro 1984.

Acredita-se que o termo Utopia tenha sido usado pela primeira vez por Thomaz More, que escreveu um livro com esse mesmo nome: Utopia. A obra de More é um clássico do gênero utópico. Utopia na literatura de More é o nome de uma cidade,um lugar de justiça, onde todos são iguais e as coisas acontecem perfeitamente, segundo os ideais que o autor defende é claro. A verdade é que termo Utopia significa “Não-Lugar”, ou seja um lugar que não existe. More usa a literatura para criar um local, que não existe na vida real, um local perfeito uma cidade perfeita, porem esse local só existe na literatura.

 No livro de More um viajante que conheceu a cidade chamada Utopia começa a responder uma serie de perguntas feitas por autoridades locais sobre esta cidade imaginaria. De acordo com as respostas, podemos perceber que o viajante descreve as características físicas dessa cidade,  as características físicas(ler 1.2, sobre as utopias arquitetônicas e urbanísticas. Para entender a importância dos locais planejados na manutenção e criação da sociedade.) e de como os poderes se manifestam nessa sociedade. A conseqüência é que essas respostas  são também uma críticas a todos os seus entrevistadores. Já que esses entrevistadores são pessoas que representam algum tipo de poder (monárquico, eclesiástico, econômico) na sociedade contemporânea ao momento da escrita da utopia de More.

More ao escrever o livro Utopia faz um exercício básico dos escritores dis(utópicos) que é fazer uma crítica a sua própria sociedade criando uma sociedade ideal em outro espaço (que é o caso do livro de More) ou tempo ( que é o caso de Admiravel Mundo Novo de Aldous Huxley e do 1984 de George Orwell). Essa mobilização do espaço ou tempo é para que se evite uma possível censura, ou problemas de edição e de impressão das obras literarias.

Apesar da obra A Republica de Platão ser uma espécie de utopia da antiguidade, o gênero literário Utopico vai ganhar grande potencia durante a modernidade, sendo influenciada principalmente pelo iluminismo e pelas series de revoluções no campo da política e das tecnologias em geral.

A republica florescente da revolução francesa, e os ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade juntamente com a possibilidade do desenvolvimento e crescimento materiais e econômicos causado pela revolução industrial na Europa levou muitas pessoas a acreditarem na possibilidade de um futuro melhor, numa sociedade mais justa e igualitária. Foi nesse contexto que eclodiu a literatura utópica.

A literatura utópica critica a sociedade atual, e cria uma sociedade “melhor”. É preciso entender que essa literatura, essas sociedades existentes apenas na literatura, eram os sonhos de muitas pessoas, e mais profundamente, essas obras eram projetos políticos.

Essa literatura servia como forma de inspiração para uma nova sociedade, era uma espécie de modelo a ser seguido, um modelo ideal. Juntamente com o nascimento da literatura utópica, nasce uma literatura utópica de locais, ou seja livros teóricos de arquitetura e urbanismo que descrevem literalmente como as novas cidades devem ser construidas para sustentarem a utopia de uma nova sociedade. Assim percebemos a importância da arquitetura do local para a construção de uma nova sociedade. Devido a importância desse assunto nosso próximo tópico trabalhará a literatura utópica da arquitetura e do urbanismo como exemplos de como as obras utópicas eram vistas como modelos políticos, sociais e econômicos para a construção de uma nova ordem, e de uma sociedade melhor.

Fica claro então que as utopias literárias, como as utopias arquitetônicas não são apenas literaturas feitas para o divertimento, existe nesses textos utópicos, todo um discurso sócio-político e econômico, um modelo que sirve de guia para uma nova sociedade.

Algumas pessoas podem argumentar que esses modelos utópicos para uma sociedade futura vinham apenas das mentes iluminadas e com maior grau de escolaridade ou esclarecimento, porem Bauman sustenta uma posição bem divergente a isso com o seguinte argumento:

“Planejado, o espaço moderno tinha que ser rígido, solido, permanente e inegociável. Concreto e aço seriam a sua carne, a malha de ferrovias e rodovias os seus vasos sanguineos. Os escritores das modernas utopias não distinguiram entre ordem a social e a arquitetonica (…) para eles [os escritores utópicos][1] – assim como para seus contemporâneos encarregados da manutenção da ordem social – a chave para uma sociedade ordeira devia ser procurada na organização do espaço”             (BAUMAN, 1999. p. 25)

 

Assim Bauman argumenta que existia um pensamento coletivo, um desejo baseado numa sociedade melhor, mais organizada, uma sociedade racional, arquitetada. Essas sociedades seriam as sociedades do futuro, ou sociedades utópicas, que existiam apenas no papel. A literatura utópica, como a arquitetura utópica então eram projetos a serem concluídos futuramente. Uma coletividade acreditava que essa sociedade seria possível, por isso o gênero utópico vai ganhar potencia nesse contexto Iluminista, e da revolução industrial. Pois é nesse contexto em que a igualdade, fraternidade, liberdade e as inovações tecnológicas vão proporcionar aos homens alguns desejos de construção de uma nova ordem social, e os projetos dessa nova ordem estão presentes nas utopias.


[1] O grifo é meu.

 

 

Obs: essa é a primeira parte do primeiro capitulo da minha monografia, ainda não passou por nenhum correção.

 

Agora postarei algumas imagens de alguns arquitetos e urbanistas, que tambem  se afirmam como engenheiros sociais. o maior nome desses intelectuais é sem duvida Jacques Fresco, que participa do projeto venus.

 

as utopias continuam nos dias de hoje, as pessoas ainda acreditam numa sociedade melhor e mais justa, ainda acreditam que a tenologia pode nos ajudar, e que os locais, as cidades, devem ter um planejamento para ajudar nessa nova ordem social. então fiquem ai com alguma figuras.

 

Fresco

Fresco

Fresco
Fresco
Fresco
Fresco

mecanootaiwan202

 

Salve Galera.

abraços

Zeitgeist e Projeto Venus

•23 23UTC janeiro 23UTC 2009 • 15 Comentários

o trem acima foi desenhado por Fresco. A sua base de energia se baseia em imã de maneira que esse trem pode virtualmente chegar a 5.000 km por hora sem gastar qualquer combustivel "sujo".

o trem acima foi desenhado por Fresco. A sua base de energia se baseia em imã de maneira que esse trem pode virtualmente chegar a 5.000 km por hora sem gastar qualquer combustivel "sujo".

 

 

 

 

Projeto Venus e Zeitgeist

 Esse Post trata basicamente dos dois assuntos acima. Então tentarei explicar um pouco sobre cada um deles. Colocarei o link dos documentários sobre eles e gostaria que vocês mesmos tomassem uma posição sobre os dois assuntos.

Zeitgeist é um documentário, é um projeto que já produziu dois comentários. Procurem no Google e facilmente acharam os filmes com legende em português. Dica para achar os filmes; digite no Google: Zeitgeist portuguese , e para achar o segundo documentário : zeitgeist addendum portuguese. Vocês facilmente encontraram os documentários com legenda, basicamente os documentários possuem cada um em torno de 2 horas e meia.

As questões apresentadas pelo primeiro documentário são: a probabilidade da existência de cristo, a forca das instituições, o 11 de setembro como uma farsa do governo americano, a invenção do terrorismo como inimigo, e como os banco centrais foram criados, e esses bancos centrais são instituições privadas ao contrario do que muitas pessoas pensam.

O segundo filme eu achei muito mais interessante. O documentário já começa com uma critica muita forte aos bancos e como o dinheiro é virtual, como o dinheiro é criado. Bem o primeiro assunto do documentário é: o dinheiro só existe enquanto existe divida, a divida cria o dinheiro. Bem não explicarei aqui o funcionamento da “sociedade monetária”. Assistam ao documentário e entendam como existe tanto dinheiro no mundo.

Esse segundo documentário é mais critico a nossa sociedade atual, nosso sistema financeiro, e como reproduzimos nossa sociedade. O ponto mais interessante desse novo documentário é um projeto de uma nova sociedade. Jacque Fresco diz isso no documentário: o projeto Venus não é perfeito, mas é melhor do que a sociedade em que vivemos. Bem o projeto Venus propõem uma nova forma de sociedade, baseada fundamentalmente na administração dos recursos naturais do planeta, e na pesquisa da tecnologia. Segundo Fresco, hoje já temos tecnologia suficiente para que não haja mais fome no mundo, para que todo mundo tenha um abrigo, e mais não precisamos mais de combustíveis fosseis, ou de fontes de energia poluentes. Fresco propõem uma sociedade onde muitas coisas sumirão, o mundo como conhecemos hoje não existira mais.

Acredito que o projeto Venus tenha muitos defeitos, e de uma certa forma ainda é uma utopia. Mas muitas propostas desse projeto são acessíveis e acredito que sejam benéficas. Fico por aqui, colocarei aqui alguns links para que vocês possam conhecer um pouco mais sobre o Zeitgeist e o Projeto Venus. Infelizmente os site são em inglês, o Zeitgeist tem em espanhol então para que não domina o inglês da para dar uma curtida em “portunhol” mesmo.

Uma coisa que me deixa muito desconfortável é que não sei de onde vem as fontes para a pesquisa dos documentários do zeitgesit, mas de qualquer forma os documentários são intrigantes.

 

PRIMEIRO DOCUMENTARIO DO ZEITGEIST COM LEGENDA EM PORTUGUES: http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024

SEGUNDO DOCUMENTARIO DO ZEITGESIT “ADDENDUM” COM LEGENDA EM PORTUGUES: http://dotsub.com/view/7281f5dc-d4b1-4315-abb7-143becd34f49

SITE DO ZEITGEIST: http://thezeitgeistmovement.com/

SITE DO PROJETO VENUS: www.thevenusproject.com/

RISE OF MILITANT: www.riseofmilitant.wordpress.com

Fico por aqui espero que gostem dos documentários e voltem aqui para comentar um pouco. Finalmente sai do assunto da sociedade de controle, mas de uma certa forma eu continuo numa linha de fuga, que propõem uma nova sociedade, uma forma de encarar as coisas, de ver um mundo, de interagir com o planeta.  

 

Abraços

Codigo 46

•15 15UTC janeiro 15UTC 2009 • Deixe um comentário
Capa do Filme

Capa do Filme

NOTA: DESCULPE pelo portugues horrivel, estou no trabalho, e infelizmente esse computador nao pega nenhuma pontuacao.

O post de hoje tratara basicamente de formas de resistencia. e bem fica tambem a indicacao do filme codigo 46, o filme retrata bem uma sociedade futura, e um filme do genero distopico. O filme trata com bastante substancia a questao do controle genetico. infelizmente e um filme um edipiniano, mas de qualquer forma interessante.

Ando meio que sem ter o que escrever, como diria o proprio Deleuze trata-se de um buraco, que eu gosto de chamar de negro (pois para mim trata-se de absorver as coisas durante esse tempo, para alguns isso seria um “vazio”.

De qualquer forma venho buscando ” inspiracoes” , mas as coisas nao estao vindo, entao ouraiti, vamos ao velho: na vida nada se cria tudo se da um ctrl + c e depois ctrl + v. Por isso hoje vou postar uma materia que encontrei no site www.rizoma.net, site que a muito tempo eu nao visitava, mas que tem materia muito interessantes, quem quiser dar uma conferida, sinta-se a la vonteee.

Mas de qualquer forma, vou fazer uma breve introducao a materia, na verdade vou mesmo e dizer o que me chamou a atencao nela. A questao da vigilancia sempre me chamou a atencao, principalmente a eletronica, isso e facil de perceber, pois todo esse blog trata disso. Mas a pouco tempo venho “conversando” com Celso, e com outros autores, a procura de uma certa resistencia a esse modele de vigilancia. E claro que eu sempre disse que as resistencias devem ser criativas, e de um certo ponto a materia mostra uma resistencia muito criativa, pois ultiliza os meio de “represao”, “controle”, “propaganda” e “vigilancia” contra os proprios opressores.

A pouco tempo atras eu estava a escrever um roteiro de filme, algo que nunca deve se concretizar, o roteiro nao se realizara por minha inconpetencia, ou minha desorganizacao, talvez por eu querer colocar ideias de mais no papel. Por outro lado nao se realizaria pois ninguem iria patrocinar, e a historia pode ser um pouco confussa, alem do mais existem 2 problemas, um e que eu precisaria de uma sala altamente tecnologica, com muitos Leds, monitores de LCD, ou melhor ainda televisoes “virtuais” (aquelas meio transparentes que de uma certa forma ainda e capaz de se ver o fundo, uma especie de projetor. veja as duas figuras abaixo.) e outras tecnologias que eu nao gostaria de citar aqui, mas isso necessitaria de um grande empreendimento, se nao material, virtual, para que esse mundo fosse criado atraves de computadores.

a televisao aparece no vidro da janela, e novamente pode perder a opacidade e virar vidro.

a televisao aparece no vidro da janela, e novamente pode perder a opacidade e virar vidro.

a televisao simplesmente se projeta no ar.

a televisao simplesmente se projeta no ar.

O segundo problema e que grande parte do meu filme seria bem enjoado, e com pouca acao. veja bem, o filme teria a maior parte das cenas filmadas por cameras de seguranca, bem eu teria poutra dor de cabeca, pois teria que pedir a prefeitura para ultilizar cenas de locais publicos vigiados, e teria que pedir permissao a varios locais particulares, como : shoppings, condominios e etc…

Deixarei o “projeto” cinematografico para mais tarde, talvez algum dia, eu venha a postar ele aqui. Do jeito que a minha criatividade anda, vou ter que queimar essa carta.

Mas bem, o que eu proponho nesse “roteiro” e o que e proposto nesse artigo e utilizar as armas de um aparelho da sociedade de controle contra ela mesmo. e usar a arma contra o proprio inimigo. por um lado isso me parece muito com o que o Estado faz, ou o que os “sedentarios” fazem, ocupam as criacoes. Por outro lado me parece , me parece muito criativo criar uma programacao, um teatro ou uma novela com essas camera de seguranca.

Ai vai o artigo:

PROGRAMAÇÃO DE GUERRILHA PARA EQUIPAMENTOS DE VIGILÂNCIA POR VÍDEO
Surveillance Camera Players(1)



Hoje já deveria ser de conhecimento comum que a câmera é primariamente um instrumento de controle social. A câmera tal como usada na propaganda apresenta para o público os bens e estilos de vida que são tidos como desejáveis. A câmera tal como usada no cinema e na TV, portanto, instrui o público sobre como viver sua vida de uma maneira adequada de forma que se possa adquirir estes bens e estilos de vida (seja por meios legais ou ilegais).

Assim, por sua vez, a câmera tal como usada em sistemas de vigilância monitora as ações deste público para assegurar que, se eles reagem à mercadoria de qualquer maneira subversiva (roubo em lojas, furto no trabalho, sabotagem, vandalismo), o “criminoso” pode ser detectado e ele/a passa a ser um produto para a indústria do controle do crime. Além disso, a presença detectável da câmera no local de trabalho, em lojas, escolas, parques das cidades, esquinas de ruas, mesmo lanchonetes, serve para lembrar ao indivíduo que ele é um cidadão de uma sociedade vigiada.

É importante que se recorde a relação entre o olho da mídia e aquele do estado policial corporativo – pois ambos são guardiões da mercadoria, não importando quão vaga e efêmera essa mercadoria venha a ser. Como uma tática projetada para apontar o paradoxo de um sistema que vira as lentes para um público que tem sido ensinado a dar mais importância a imagens gravadas por câmeras que imagens vistas por seus próprios olhos, nós propomos uma Programação de Guerrilha para Equipamentos de Vigilância por Vídeo.

O conceito básico da programação de guerrilha é simples: um grupo de indivíduos cria um enredo e o encenam usando câmeras de vigilância como se elas fossem as suas próprias, como se eles estivessem produzindo seu próprio programa, e como se a platéia consistisse no pessoal da segurança, polícia, diretores de colégios, moradores da classe rica de bairros com alta segurança, e os próprios produtores e vendedores dos sistemas de segurança. O grupo de programação de guerrilha pode pegar qualquer câmera que eles achem conveniente e chamativa, tendo em mente, é claro, que algumas câmeras são monitoradas ao vivo, enquanto outras gravam a fita que provavelmente será vista somente no caso de algum crime acontecer durante as horas de sua operação. Por esta razão, ações de guerrilha em máquinas de bancos 24 horas não são muito produtivas. O grupo pode escolher imitar as estruturas tradicionais do teatro, cinema, do seriado de TV (sitcom) ou do documentário , ou apenas improvisar e soltar a imaginação. Um grupo poderia escolher um espaço de tempo regular, por exemplo noites das quinta às 08:30, para realizar seu programa, ou, ao invés disso, escolher apresentar uma grande produção de gala de 5 horas.

Não apenas a garantia de tempo de câmera livre e platéias atentas oferecem aos programadores de guerrilha a oportunidade de assinalar aos guardiões do espetáculo que eles estão sendo estudados, mas, também, a comunidade reunida para produzir as ações pode usar a oportunidade para investigar fenômenos sociais e históricos pertinentes. Como críticas do espetáculo, ações de programação de guerrilha sempre deveriam ser, à maneira própria de cada grupo, uma investigação e um desmascaramento. Por exemplo, um grupo de guerrilhas de vigilância, se encontrando semanalmente para produzir uma ação, pode escolher investigar a estrutura da ficção narrativa ou documentários ideologicamente imbuídos para estudar criticamente a estrutura destas formas, e a influência que elas tiveram nas interações sociais dos participantes, com o fim de se livrarem do controle do espetáculo. Ou, em vez disso, um grupo pode escolher estudar momentos da história que têm sido intencionalmente omitidos (digamos, por exemplo, a perseguição aos Doukhobors[2] na Colômbia Britânica ou a estória da Bonzo Dog Band [3]), ou eventos que, infelizmente, nunca vieram a acontecer (“A Trágica Morte de David Geffen [4], 12 Anos, num Acidente de Pescaria nos idos de 1952”).


No entanto, como guerrilhas, devemos deixar claro que não aceitamos a câmera. A vigilância não é passiva e não é nossa amiga. Não devemos nos enganar quanto às possibilidades subversivas oferecidas pela abundância de equipamentos destinados a cercear, monitorar e controlar nossos desejos, vendo-os como um novo e perfeito instrumento oferecido para nós pelo espetáculo. Não precisamos deste lixo para nos divertirmos, não mais do que precisamos da TV, mas se o inimigo vai abarrotar nossa paisagem com olhos atentos, deveríamos olhar para esses olhos e deixa-los saberem quão idiotas nós pensamos que eles são. A programação de guerrilha é a produção de uma ação, não o consumo de um produto. Pode ser que a câmera de vigilância consiga nos dar um ponto de foco na rua (ou no shopping, ou no café, ou no banheiro) no qual se utilize os poucos aspectos salváveis da arte da performance ou “happenings” sem o elitismo e confiança na mídia inerentes a tais canastrices.

A sociedade da vigilância, que é uma realidade iminente, deve ser criticada e atacada ao mesmo tempo. A programação de guerrilha é direta: é um simultâneo desmascaramento do sistema opressivo e subversão desse sistema para informar os opressores (e qualquer pessoa que esteja nos assistindo) de sua própria idiotice e cumplicidade. Assim como teoria e prática devem ocorrer simultaneamente, o mesmo vale para a crítica e a subversão. Programação de guerrilha é pra já!

Notas

1. SCP, também conhecidos no Brasil como Performáticos da Câmera de Vigilância (Nota do Tradutor).

2. Os Doukhobors são um grupo de dissidentes religiosos de origem russa que emigraram para o Canadá em 1899. Defensores do pacifismo e do não-alinhamento com o militarismo, o que consideram parte essencial da prática cristã, dispensam igualmente a necessidade de padres, cerimônias religiosas, símbolos espirituais ou templos para adoração, muitas vezes vivendo em vida comunal. No Canadá, uma séries de dificuldades com autoridades canadenses deixaram os Doukhobors duas vezes sem a terra que a duras penas cultivaram: uma vez em Saskatchewan, e outra na região de Kootenay na Colômbia Britânica (N. do Trad.).

3. The Bonzo Dog Doo-Dah Band foi uma das mais importantes bandas de rock dos anos sessenta na Inglaterra. Quase totalmente desconhecida, chegou a trocar influências com os Beatles, com sua mistura peculiar de rock psicodélico, canções bem-humoradas, robôs explodindo e vaudeville. A banda se formou entre 1962 e 1965, tendo alcançado grande sucesso entre 67 e 69. O nome foi inspirado nos famosos postais de George Studdy sobre o cãozinho de estimação Bonzo Dog e no movimento dadaísta. Embora nunca tendo alcançado o sucesso e fama dos Beatles, The Who ou o reconhecimento crítico do Captain Beefheart, a banda, desfeita em 1970, até hoje tem toda uma legião de fãs descolados que fazem dela um verdadeiro culto (N. do Trad.).

4. David Geffen é um dos mais bem sucedidos magnatas do entretenimento na história. É o fundador dos selos Asylum e Geffen, tendo trabalhado com artistas como John Lennon, The Eagles e Guns N´ Roses. Também produziu o famoso musical Cats e filmes como Entrevista com o Vampiro. Entre seus protegidos no show-business, podem-se contar Cher, Courtney Love, o extinto Nirvana, Tom Cruise, Joni Mitchell e Neil Young (N. do Trad.).

Tradução de Ricardo Rosas
Fonte: Surveillance Camera Players (www.notbored.org/the-scp.html).

A importância de novas formas de resistência, um diálogo com Celso.

•8 08UTC janeiro 08UTC 2009 • 1 Comentário

Meu 1984

Meu 1984

 

“Um homem só ira te salvar, um homem só para te trair matar… esse homem é você… Não ha nada de divino, nem de sobrenatural é dar um passo a frente confiar, fazer diferente enfrentar a escuridão, não vai ser fácil, mas nunca foi. Vá ser o que quiser, mãos feitas para construir”

Dead Fish

 

Na minha ultima postagem eu tentei mostrar algumas formas de resistência, é claro que muita coisa ficou vaga. Mas acho interessante que vocês notem que todos os meus exemplos foram de livros e filmes, não é a toa que a minha monografia se baseia num livro de literatura. O nome do livro esta no próprio blog 1984 de George Orwell.

A principio esse blog era para que eu continuasse minha pesquisa aqui nos estados unidos, para que meu cérebro não atrofiasse. Bem, felizmente eu gosto muito dos contornos que a vida, e as possibilidades nos provocam, assim vejo que estou sendo obrigado a caminhar por outros caminhos, e outros textos que acho bem interessante. De qualquer maneira, acredito que a argumentação presente aqui faz parte de uma complexa explicação sobre a formação da atual sociedade, que felizmente por ser “liquida” assume vários nomes como: pós-industrial, capitalista informacional, cibernética, virtual, de controle, do espetáculo, do simulacro, do parece mas não é.

Como dito acima a atual sociedade assume varias nomeações tratam-se então para mim de uma sociedade complexa, acredito que a mais complexa que já existiu, por isso todos esses nomes. Logo se a sociedade assume varias facetas, e varias formas de agir, acredito também que existem varias lutas, varias batalhas a serem travadas e que os resistentes estão em todas essas batalhas, às vezes em varias ao mesmo tempo, às vezes em apenas uma, não importa! Sinceramente o importante é resistir, mostrar que ainda existem modos de vida diferentes, ao contrario do que a atual sociedade tenta mostrar. A importância de uma multiplicidade de luta mostra a importância do múltiplo, das varias lutas, dos vários desejos, e mostra a heterogeneidade, que é o contrario da homogeneidade que a sociedade atual propõe.

 O amigo Celso a pouco argumentou que proponho uma “luta” que talvez seja ultrapassada, ou que apenas uma luta não é o modo certo de guerrear, nas suas próprias palavras” Parece-me uma provocação a postular uma luta em um território extremamente movediço, um passo em falso e você desaparece”.

Afirmo aqui que não proponho uma única luta, estamos em guerra, proponho uma batalha, o que digo, o que faço é apenas em uma das múltiplas lutas que devemos lutar. Cada um sente uma proximidade, sente um afecto, a sociedade de controle é o que me faz falar, é contra isso que quero lutar. Existem varias lutas, ilimitadas, poderia aqui descrever varias delas: a luta contra o capitalismo (em suas varias facetas), a luta contra a miséria, a conservação do planeta, o livre passe pelos países, ou seja, uma cidadania global, as lutas são varias. Como eu caracterizei a sociedade acima com vários nomes, é claro que existem varias lutas.

Então, o território é movediço e pode até nos engolir, mas somos nômades, caminhamos por vários terrenos e transformamo-los em desertos através da crítica da sociedade de controle. Então eu passeio por outros assuntos, mas meu link é o meu território, ou seja, a sociedade de controle. Por isso acredito estar em movimento, passos falsos fazem parte do percurso, acredito mesmo acertar depois dos erros.

Proponho hoje, nessa postagem uma resposta ao Celso, por isso as partes em itálico no texto correspondem ao que ele disse.

“Até que ponto é possível exercer alguma influência junto à população para que ela venha a despertar utilizando a velha idéia de massa?”

Não quero despertar, nem acho que seja interessante a formação de uma “massa”, a mim interessa uma multidão, que propõem, na verdade que propõem a si mesmo lutas, varias lutas. Querem lutar pelo o que acreditam pelo que acham certo, pelo jeito que querem viver, não quero propor velhas idéias, nem assumir velhas formações, como disse anteriormente é importante que seja uma luta inventiva, criativa, com novas armas, não acredito que assumir velhas formações seja interessante para lutar com novos inimigos.

“algumas das perguntas que devem ser respondidas seria: quem ira resistir? Porque resistir? Como sobreviver na resistência?”

Tentarei responder as suas perguntas, não que eu as tenha, para mim se trata de um dialogo, acho interessante os comentários dos amigos no blog, por isso responderei, e espero outra resposta sua, isso torna as coisas bem interessantes.

Quem ira resistir? Quem levantara as armas? Não sei, mas não acredito que serão muitos. Faz parte da atual sociedade o biopoder, ou seja, o controle da vida e não dos indivíduos. Biopoder, ou seja, controle sobre a população em geral, trata-se basicamente de estatísticas, mas como conseguir essas estatísticas? Ora através do controle, não digo só o tecnológico, digo censo, perguntas na rua, mas também o tecnológico, todo mundo sabe que é totalmente cabível que uma grande empresa como o Google pode rastrear seus emails e os sites que você olha, facilmente através de um cruzamento de dados o Google pode saber o que você procura na net, quais sites você visita sempre, quais produtos você mais procura, assim ele pode traçar um perfil seu.

Quem ira resistir? São os poucos que não querem ter esses perfis traçados, não querem ser reconhecidos, são poucos que ainda se preocupam com a sua privacidade. Atualmente em Londres uma pessoa é filmada por 11 câmeras de vigilância diferentes, através do reconhecimento biométrico o centro de controle de informações de Londres pode monitorar qualquer pessoa pelas suas milhares de câmeras. O ditado que o Estado inglês diz é: se você não faz nada de errado não tem o que esconder. Entra então a questão do que é certo ou o que é errado? Você deve mesmo expor sua vida? Seus problemas pessoais? Para mim é basicamente isso, irão resistir os que acreditam ser a privacidade algo importante, pois mantém a pessoa com seu próprio modo de vida, não o condiciona a viver de uma maneira que o Estado ou a Sociedade de controle acredita ser certa.

Porque resistir? Para ter uma vida particular, ter sua autonomia, fazer o que você acredita ser certo! Agir de uma maneira a qual você não tenha que agir sobre a pressão de ter sempre alguém te vigiando.

O controle, o biopoder é de certa maneira um formador de opinião, e é até mesmo em alguns casos racistas. Porque resistir? Para não repetirmos erros do passado, pois foi através do controle de dados que o regime nazista foi capaz de promover o holocausto, foi através da maquina de censo que foi feito mais rápido censo da historia (ate o momento) que se reconheceram os judeus e tentou se eliminar uma raça.

Qual será o próximo inimigo? Eu gostaria de falar que são as pessoas que tem que informar dados biométricos para atravessar fronteiras internacionais, mas darei um exemplo mais simples. É Claro, e todo mundo sabe que hoje os sistemas de telemarketing e qualquer serviço feito através do telefone têm uma espécie de filtro, o que eu quero dizer é: quando você tem um telefone de cartão, ou seja, pré-pago, quando você liga para a sua operadora o seu numero passa por um filtro, de forma que, uma pessoa que tem um telefone de conta será atendido antes de você, mesmo que ele tenha ligado depois, e se outra pessoa que possui um telefone pós-pago ligar depois dele e esse ultimo gasta mais que o penúltimo ela também terá mais prioridade no atendimento.

Porque resistir? Bem nos Estados Unidos e em alguns países europeus sabemos que algumas empresas exigem exames de DNA para contratar as pessoas. Sabe por quê? Bem, pesquisa-se o DNA, se a pessoa possuir problemas genéticos e hereditários provavelmente causará um rombo maior ao seguro medico da empresa. Não seria um caso claro para lutarmos por resistir pela nossa privacidade? Biopoder puro, escolha de quem é saudável quem viverá mais?

Poderíamos seguir uma lista de problemas já possíveis como a instalação de micro-chips no corpo de algumas pessoas, isso já acontece. Esses chips possuem dados pessoais e biométricos, mas dados como conta bancaria,  saldo e outras informações, de modo que essa pessoa pode ser vetada de entrar em algum lugar. Isso é no mínimo um racismo com uma nova cara, uma nova forma de exclusão, ou ate mesmo uma forma de condicionamento. Isso você pode acessar, isso você pode conhecer, isso não, aquele outra não, ou seja, controle sobre o que você pode ou não conhecer.

Como se manter na resistência? Bem isso é uma guerra, de ação e reação, toda uma estratégia então deve ser traçada, mas depende do rumo da guerra. Não da para viver com previsões, dependeremos de dados matérias para saber como se manter na resistência. Mas a resistência é uma atividade contínua, ilimitada, sem fim. Tudo dependera de qual caminho a guerra vai tomar, quais novas armas serão inventadas, como os aparelhos de repressão tentarão parar com a guerra? Impossível saber.

“A constatação do controle me remete a perceber que se formou com o tempo um cordão umbilical que mantém os indivíduos ligados ao sistema reconhecendo-se mutuamente como parte de um mesmo modo de vida”

É claro que isso acontece, as pessoas querem segurança, as pessoas mesmo clamam pelo controle, querem ser vigiadas, acreditam que isso lhe propõem segurança, querem ser reconhecidas, querem que o estado ou algumas corporações saibam onde estão. Essas pessoas não param para pensar nas possibilidades que isso causa como traçar um perfil financeiro, ou que essas corporações podem obter dados pessoais que não lhe dizem respeito. Sim a sociedade de controle só existe, pois as pessoas querem que eles existam, as pessoas adoram saber que suas cidades têm mais câmeras se sentem mais seguras, o que eles não para param para pensar é que a maior parte do tempo essas câmeras monitoram pessoa normais e não atos criminosos. Para o capital é de extrema importância que as pessoas se sintam seguras, que queiram fornecer seus dados, pois podem traçar perfis, fazer com que essas pessoas passam por filtros, que se possa escolher o que cada pessoa possa acessar. O funcionamento é esse mesmo, a sociedade de controle não existe se as pessoas não participarem do controle, se as corporações ou os estados não tiverem os dados pessoais o mecanismo não funciona. Por isso acredito que a resistência tem dois lados, um ativo e outro passivo. O Ativo: invadir esses centros de informações, destruir as “nuvens” do Google, ou grandes centros de armazenamentos de dados. O modo passivo: esse já existe até legalmente, depois do holocausto o censo que pergunta sobre posses, sobre religião ou sobre a sua fortuna foi reconhecido como facultativo, você responde se quiser, pois esses dados podem formar perfis, e podem te transformar em “criminosos”. Acredito que o modo passivo é não fornecer informações, é fugir dos lugares de controle, é simplesmente se esquivar, sair fora é não estar registrado, estar fora de controle. [1]


[1] Gostaria de exemplificar essas identificações, e esses tracamentos de perfis atraves do filme codigo 46. É um romance que se passa numa sociedade de controle, que usa dados genéticos para filtrar as pessoas, ou seja escolher quem pode ter acesso e ao o que pode ter acesso.

Como Resistir?!

•25 25UTC dezembro 25UTC 2008 • 3 Comentários

bigbrotherstatehy2“percebi que não sou tão niilista assim…”

Noção de Nada.

 

Bem, acabou que entrei numa questão que eu pretendia entra somente mais tarde.  Devo isso graças as participações tão caras dos meus amigos nesse blog. Muito obrigado pela atenção dispensada tanto para ler como para comentar no blog, acho interessante discutir essas questões via internet, já que materialmente, e atualmente não podemos mais entrar nessas questões tão caras ao meu projeto de pesquisa.

Rafael ao citar Hardt e Negri certamente se refere ao livro Multidão (editora Record), bem ainda não li esse livro, infelizmente. Sobre esses dois autores eu prefiro me referir ao livro Império ( editora Record) , pois esse livro eu li, já faz algum tempo mais ainda me lembro bastante dele. As analises de Hardt e Negri são muito importantes para mim já que eles se baseiam bastante nos estudos de Deleuze e Guattari. Logo esses quatro autores consideram a nossa atual sociedade como a sociedade do controle, ou seja quando Rafael fala no império, estamos falando simultaneamente do império e da sociedade do controle.

Contra o império[1], temos a multidão. Isso é o que aponta Hardt e Negri. Sendo bem sintético eu classificarei o império como a sociedade de controle, não darei muitas explicações, pois o que me interessa nesse texto não é a classificação do império ou da sociedade de controle, mas sim como resistir a esse atual problema. Citando Deleuze mostrarei e tentarei apontar algumas formas de resistência.

 

Talvez a fala, a comunicação estejam apodrecidas. Estao inteiramente penetradas pelo dinheiro: não por acidente, mas por natureza. É preciso desviar da fala. Criar foi sempre coisa distinta de comunicar. O importante talvez venha a ser criar vacúolos de não-comunicação, interruptores, para escapar ao controle.

(DELEUZE.Conversações. p.217)

Fica claro aqui uma primeira proposição de Deleuze que eu gostaria de expor. Quando Deluze fala em uma comunicação apodrecida, totalmente infiltrada pelo dinheiro vemos a atual sociedade da informação, da comuniação da internet. Ora a internet é hoje sem duvida o maior mercado e o maior armazenador de informações, sejam informações pessoais, ou informações de empresas e produtos. A internet é movida pelo lucro, pelo dinheiro. Os blogs, e outros sites vivem de propagandas, quase todos sites que abrimos vemos propagandas, a todo momento na internet é nos oferecido produtos e informações, sendo a própria informação um produto nos dias de hoje.

No meu ultimo post, acredito ter mostrado como a internet é um grande armazenador de dados, e um dom principais instrumentos de controle da sociedade atual. Na internet é fácil achar qualquer pessoa, é fácil invadir computadores pessoais e roubar dados, e através de cruzamentos de dados Biométricos já se é capaz de reconhecer uma pessoa em qualquer local do mundo graças a internet.

A comunicação como a conhecemos hoje, livros, televisão, radio, internet, até mesmo esse blog funciona numa lógica de dinheiro. Tudo isso é movida por dinheiro, e pelos agentes do capital, logo acredito ser esses espaços acima citados um local de ação a favor do império, e não a favor da multidão. É lógico que de uma certa maneira esses espaços podem ate denunciar essa sociedade de controle, mas não consigo ver resistência nesses locais. Por isso mesmo fui muito resistente a criação desse blog, pois esse é um espaço do império. Existe na teve, na internet e em vários outros meios de comunicação programas e coisas interessantes, o problema todo é a lógica em que eles funcionam, existem poucos debates sobre políticas na teve, ou sobre educação. Os programas existem, são poucos é claro, pois não fazem parte ainda de uma lógica de mercado.

Então voltemos a questão, como resistir? Bem aqui nesse espaço não sou resistente, não sou criador, sou comunicador.

Resistir segundo Deleuze é fugir, abandonar esses locais de poderes, uma lógica diferente não mais ocupar o local de poder, simplesmente deixa-lo vazio. Existe uma frase no Imperio que não me lembro bem, mas, é algo como : simplesmente resolva não mais servir, e vera o soberano cair e se destruir como uma estatua sem suporte. Ou seja sair fora da comunicação, dos meios de comunicão desses locais podres. Criar novos espaços novas resistências. Novamente no livro Imperio é citado uma forma de resistência que eu gosto de chamar passiva, é simplesmente alguém preguiçoso, uma pessoa que não gosta de trabalhar, se faz de surdo, é lerdo em fazer suas tarefas.

Esse exemplo de resistência passiva me leva a dois lugares, o primeiro é a Noruega pais onde os punks vivem de seguros sociais, e outras ajudas financeiras do Estado. Seguro desemprego, ajuda para gravar um CD da sua própria banda, o interessante é que esses punks fazem CDs mal gravados e usam o dinheiro sustentando um estilo de vida próprio, se drogando. Ou seja usam dinheiro da maquina estatal para sustentarem um estilo de vida contrario ao do Estado. Outro exemplo interessante é o filme TRAINSPOTING. Os personagens do filme também são resistentes passivos, tem um outro estilo de vida. “Escolha uma vida, escolha ter um carro, uma televisão grande, ter um emprego e família ou escolha a heroína”. Simplesmente os personagens do filme não reproduzem o estilo de vida que a sociedade os impõem. Gostaria de trabalhar com o exemplo da “cultura raver”, escrevi um artigo sobre isso um tempo atrás, mas ainda não esta bom, então deixarei para uma próxima ocasião.

 

Tratarei agora do que gosto de denominar uma resistência ativa, o exemplo será o filme EDUKATORS, (espero que se escreva assim). Esse filme mostra uns jovens que no fim do filme se dirigem a um centro de comunicação e farão o centro de comunicação para por alguns minutos, segundos, bem isso não fica explicito no filme. De qualquer forma acredito que isso possa ser um vacúolo de comunicação um espaço em branco, vácuo.

Outra forma de resistência? Os nerds, os hackers. Bem se o império é virtual, não tem centro fixo, as formas de ataque também devem ser assim. Acredito que invasões de computadores, e de nuvens como as do Google, e outros grandes armazenadores de informações possam ser uma forma de resistência ativa. Talvez apagar dados confidencias, ou confundir os dados. O filme Matrix pode ser então esse exemplo. O melhor ainda é que no filme matrix os resistentes moram fora da matrix, fora do controle, criaram uma nova forma de vida para eles, a luta contra o controle não termina com uns humanos controlando outros humanos ou maquinas.

Bem tentei trabalhar algumas formas de resistência aqui, ainda tenho mais coisas para explanar, de qualquer forma acredito que essas informações e exemplos possam ter esclarecido um pouca as idéias sobre resistência. Tentarei nos próximos posts, continuar trabalhando essa questão.

BIBLIOGRAFIA:

DELEUZE,Gilles. CONTROLE E DEVIR; POST-SCRIPTUM SOBRE AS SOCIEDADES DE CONTROLE. In: CONVERSAÇÕES. Editora 34. São Paulo. 2008.  


[1] Não entrarei nessa questão do que é o Império ou como ele se formou, ou qual a forma que ele tem atualmente. Não é realmente o que me interessa, é claro que eu sei que é necessária uma explicação sobre o tema. Acredito que o tema central aqui, é a sociedade de controle, e de uma maneira geral falaremos desse controle. Para saber mais sobre a sociedade atual segundo a visão de Michael Hardt e Antonio Negri procurar : Império, Multidão, O poder constituinte, Kairos, Gilles Deleuze etc…

Praemeditatio Malorum

•20 20UTC dezembro 20UTC 2008 • 4 Comentários

Greco atacando molotov contra a policia

Greco atacando molotov contra a policia

Na minha ultima postagem[1] tinha me referido a próxima postagem, (no caso a que escrevo agora) dizendo que eu iria me referir certamente aos textos de Foucault que se referem ao controle, e juntamente com o controle gostaria de falar um pouco sobre o nascimento da biopolitica, segurança território e população. Bem esse assunto não saiu da minha pauta, ainda pretendo adentrar nesses assuntos. Mas lendo um pouco no meio da neve em que me encontro, achei algo magnífico para a minha monografia.

 

Nos estudos de Foucault sobre os cuidados de si, ele vai pesquisar na Roma antiga e nos antigos filosofos gregos técnicas de cuidados sobre si. Bem Foucault encontra técnicas de cuidados digamos “matérias” como o jejum por exemplo. Mas digamos que a maioria dos gregos tinham uma certa desconfia com as maravilhas que esse ascetismo promoveria.

Bem o que realmente me chama a atenção seria o fato de Foucault chamar a atenção para uma pratica dos estóicos restritos ( Senêca é um deles).

 

O mais celebre desses exercícios de pensamento era a praemeditatio malorum, meditação dos males futuros. (…) É preciso compreender no que ela {praemeditatio malorum} consiste: aparentemente, é uma previsão sombria e pessimista do futuro. De fato, é uma outra coisa[2].

 

Então Foucault explicara no que se resumia a essa pratica. Bem para a minha pesquisa isso é de extrema importância, pois acho num pensamento da antiguidade algo muito parecido com o que a critica literária chama de gênero Distopico. Primeiramente vou apresentar o que Foucault chama de praemeditatio malorum, e em seguida apresentarei um conceito de distopia. Farei um paralelo entre os dois, mostrando que de uma certa maneira existe uma tradição no pensamento ocidental que se propõem em pensar num futuro não maravilhoso, ou não utópico. A Utopia, apesar do termo nascer somente bem depois dos gregos por volta do século XV, já era praticada na literatura grega, pois  A Republica de Platão é considerada a primeira literatura utópica. Se a literatura utópica já existia na Grécia antiga, não é de se assustar que a literatura, ou praticas de pensamentos distopicos também existissem.

Mas bem, voltemos a explanação de Foucault sobre praemeditatio malorum:

Primeiramente, não se trata de se representar um futuro tal como é possível que se produza. Mas, de um modo muito sistemático, imaginar que o pior posso se produzir, mesmo que tenha pouquíssimas chances de acontecer. Senêca diz isso a respeito do incêndio que havia destruído a cidade de Lyon: esse exemplo deve nos ensinar a considerar o pior como sempre certo.

 

A mim algo de distopico existe nessa afirmação, pois a distopia cria um futuro pior, o que a utopia significa é que se as coisas estão ruins, elas podem ficar pior. Mas continuemos com a explanação de Foucault:

 

Em seguida, não é preciso pensar que essas coisas são possíveis de se produzir num futuro mais ou menos longínquo, mas ter uma representação atual delas, já se realizando. Imaginemos, por exemplo, que já estamos exilados, já submetidos ao suplicio.

 

Para nossa pesquisa é muito claro que Orwell ao escrever  1984 tem um pensamento muito parecido, para Orwell não se trata de ser o controle uma pratica de um futuro longínquo. Na época em que Orwell escreveu 1984 não existia um sistema de monitoramento eletrônico, como câmeras de televisão, nem por isso ele deixou de escrever sobre isso, e de uma certa forma fazer o seu personagem vivenciar essa experiência. Logo, mesmo que o controle por meio eletrônico seja uma coisa possível num futuro possível, Orwell viveu isso, ele atualizou o pensamento, para Orwell o monitoramento eletrônico era algo atual, algo que se realizava.

 

Enfim, se devemos ter uma representação delas em sua atualidade, não é para que vivamos por antecipação o os sofrimentos ou as dores que nos causariam, mas para nos convencer de que não são, de modo algum, males reais, e que apenas a opniao que temos delas já nos faz considera-las como verdadeiras desgraças.

Vê-se bem: esse exercício não consiste em projetar um futuro possível de males reais, para nos acostumarmos com eles, mas em anular tanto o fututo quanto o mal. O futuro: já que temos dele uma representação como algo já dado num atualidade extrema. O mal: já que nos exercemos a não mais como considera-lo como tal.

 

Trata-se então de anular um futuro possível, ou um atual extremo. Acabar com algo, ruim. No nosso caso, ou seja o  livro 1984 é uma pratica bem parecida com a praemeditatio malorum,  é uma denuncia, Orwell critica os mecanismos de controle, e de vigilância para que isso não se realize.

BIBLIOGRAFIA.

Foucault,Michel. Resumo dos Cursos do Collège de France. JZE. Rio de Janeiro, 1997.

Orwell, Georg. 1984. Companhia editora nacional. São Paulo. 2005.


[1] Por ser um blog, eu estou me afastando um pouco da característica de artigo, ou de trabalho acadêmico. Acho que este blog é um espaço mais informal.

[2] Todas as citações são do ultimo capitulo do livro  Resumos do Collège de France, o nome do capitulo é os cuidados de si. A bibliografia básica esta no fim do texto.

Os Cuidados de Si

•18 18UTC dezembro 18UTC 2008 • 2 Comentários

Existe, eu sei, uma preocupação atualmente muito grande com o cuidado de si, vemos o tempo todo as pessoas indo a academias, para exercitar o corpo, ser um “atleta”. Existe tambem uma certa preocupação com a mente (espirito, cerebro, alma e etc..), vemos pessoas todos os dias visitando igrejas, psicologos, psicanalistas, neurologistas. existe um certo cuidado de si ate mesmo na alimentação. Muitos dizem vivermos a “geração saude”, nao fumamos mais como nossos pais, malhamos mais, bebemos menos.

Mas existe por tras disso tudo todo um aparato de controle de vigilancia, se somos viciados em internet, sabemos que existem grandes corporacões e grandes servidores que tem acesso as nossas informacoes (sites que visitamos, produtos que pesquisamos), entao nao é em vao que esses servidores sempre nos mostrem anuncios sobre produtos que queremos.

Outro caso, seria o do cuidado com nosso corpo, ora quem nunca teve que passar por um exame medico para ser contratado por uma empresa, temos que cuidar da nossa saude ate mesmo para termos empregos, pois ser doente, ou ter um perfil de possibilidade de doenca apresenta um certo rombo no plano de saude da empresa. entao a cada dia mais vemos planos de saude participativos (que de certa forma cobram que a pessoa se cuide, pois tera que pagar parte do tratamento), e cada dia mais vemos as pessoas se cuidarem pois nao querem ser desempregadas devido a problemas de saude.  Em outros paises o controle medico ja é mais rigoroso, os paises nordicos, a holanda e estados unidos da america ja tem perfis de pessoas na internet, esses perfis retratam todo um feedback, ou historico de doenca da pessoa, assim qualquer empresa, ou medico pode ter acesso a vida medica da pessoa. Temos aindaa que nos preocupar com o DNA e doencas geneticas. Sem querer fazer previsoes, mais doencas cardiacas, diabetes e outras doencas hereditarias podem se tornar fator de exclusao num futuro bem proximo, ser doente, ter problemas geneticos pode significar de uma certa maneira uma nova exclusao de “raça dos impuros”, como vimos os fascismos fazerem a tão pouco tempo. sinceramente, espero que nao! mas esta ai, ate mesmo o controle de si esta sendo invadido por sociedade de controle.

Foucault diz que ao invez de terem executado aristoteles, eles deveriam te-lo condecorado, pois ele sim “ensinava” as pessoas a cuidarem de si, e cuidando de si, cuidavam da cidade. Foucault tambem diz que o cuidado de si, é um previlegio de poucos, pois quem tem que trabalhar cuida dos outros, e cita o caso dos espartanos, pois os escravos cuidavam das fazendas, enquanto eles cuidavam de si mesmos e de suas sociedades.

O ponto em geral que quero chegar é que vemos um controle crescendo a cada dia, e esse controle diz: cuidem de si mesmos, pois se nao serao excluidos. Okay, nao é isso que realmente vejo. O que vejo sao que esses cuidados que devemos tomar com nos mesmos, esses cuidados que essa sociedade nos impoes sao apenas formas de alimentarmos e de sermos combustiveis dela. Se nos cuidamos de acordo com o que ela nos pede estamos apenas a reproduzindo. O controle a cada dia nos faz reproduzir essa sociedade em que vivemos. Se vemos sacanagem de mais na internet isso pode ser prejudicial, e logo um computador pode nos monitorar, e seremos rastreados. Se estamos mais de saude nossos chefes podem acessar nossos perfis medicos na internet. Hora nao estamos cuidando de nos mesmos, estamos cuidando de nossa sociedade. Como o proprio Foucault disse num curso ” É Preciso Defender a Sociedade”.

Espero no meio proximo post, relacionar a sociedade de controle, a biopolitca ( que vejo atualmente ate mesmo como uma forma de exclusao. a comparacao que faco é a da raça e da genetica).

Creio que no caso a controle atualmente nos proibe de cuidar de nos mesmos, ele nos induz, nos seduz, e produz em nos acoes que o reproduzem.

Cuidar de nos mesmos seria conhecer a nos mesmos, praticar atos que nos façam nos sentir bem. Cuidar de nos mesmos é nos ocupar conosco, repassarmos nossas ideias, nossas opnioes. Lutarmos pelo que acreditamos, mesmo que isso seja utopico, ou distopico.

O controle, a vigilancia por si so a cada dia nos impede cada vez mais de cuidarmos de nos mesmos.

Foucault, Michel.  Resumos do College de France.Rio de Janeiro. JZE. 1995.

Hi kids!

•16 16UTC dezembro 16UTC 2008 • 2 Comentários
Sempre Vigiado

Sempre Vigiado

http://www.huesforalice.com/bbs/ : esse site contem um filme interessante que demonstra alguns instrumentos de controle, foi desse filme que tirei essa imagem. sintam-se a vontade para adentrar no site e ver o filme. 

 

okay, resolvi voltar depois te tantos anos longe do mundo virtual. os motivos sao varios, eu sei, que muitos dirao: ele foi um covarde, nao conseguiu se manter longe, quebrou a promessa que fez  a si mesmo. eu digo: nao importa o que voces dirao!

Voltei com um proposito, esta seria a melhor hora de voltar? a resposta fica em aberto, nao sei. o que sei ,é que voltei, pois tenho pelo o que escrever. esse blog trata basicamente de controle, sim, isso mesmo: controle. Pode parecer um tanto quanto chato, e esquisito, eu sei. vao dizer que me tornei um chato, uma dessas pessoas cults, que gostam de ler, e se achar inteligente : falar mal de todo mundo. mais uma vez eu digo: nao me importo com o que dirão! a minha resposta é que: todos sofremos controle, particular, instituicional, familiar nao importa. a mim cabe essaa denuncia, e os efeitos que isso pode acarretar. 

Alguns vao falar: mas esses metodos e instrumentos de controle sao para nossa segurança! e eu respondo: sim, pode ate haver uma certa segurança nisso tudo, mas nao é isso que quero demonstrar, alias exatamente ao contrario é que existe uma guerra, e por isso existem mecanismos de controle.

no fim, quero critico como os mecanismos de controle agem sobre as pessoas. Internet, radio, cameras de seguranças, as nuvens na internet, aparelhos de espionagens, radares, sonares, satelites, micro-chips e uma outra serie de outros instrumentos que podemos caracterizar como intrumentos de controle.

Que fique bem claro a nossa posicao. estamos contra o controle e suas maneiras multiplas de agir. Continuar lendo ‘Hi kids!’

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.